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VIII Encontro Nacional discute expansão com qualidade das universidades e institutos federais

O artigo As políticas compensatórias para a educação: do privado para o público e do público para o privado, apresentado pelo professor Lúcio Vieira, abriu os debates sobre expansão com qualidade do ensino superior no último dia do VIII Encontro Nacional do PROIFES-Federação.

Segundo Lúcio Vieira, projetos dos Institutos deveriam estar voltados a desenvolver os arranjos produtivos locais para o desenvolvimento regional, mas muitos foram implantados por questões políticas, desatentas a estas especificidades. Assim, a licenciatura tem se tornado prioridade porque a formação dos próprios professores e alunos se afasta do ensino técnico e tecnológico e se aproxima da formação acadêmica oferecida pelas universidades.

De acordo com o professor, o governo federal disponibilizou 1 bilhão de reais para criar 38 institutos, e o mesmo valor para a expansão de várias universidades. “É muito caro instalar um instituto e precisamos estar atento ao seu projeto original, porque é outra potencialidade brasileira de desenvolvimento que está subaproveitada”.

Na análise do diretor de Ensino Básico, Técnico e Tecnológico (EBTT) do PROIFES, Nilton Brandão, no que tange a concepção, a proposta pedagógica dos Institutos Federais está bem construída e avança na perspectiva da integração educação e trabalho. Entretanto, na prática, é preciso que realmente a vocação daquela região seja atendida pela escola.

A expansão dos Institutos, para Brandão, apesar de positiva, é feita sem que as condições de funcionamento estejam completas, pois em sua maioria, não possui quadro suficiente de professores – o que acaba por sobrecarregar a carga horária dos docentes por falta de laboratórios, infraestrutura, internet, boas bibliotecas, etc. “A expansão deve ser feita, mas precisa ser com qualidade e não à custa exclusivamente dos professores que têm que se desdobrar para suprir as carências estruturais”, disse.

Estas mesmas condições podem ser observadas no Estado do Mato Grosso do Sul, onde, segundo o professor Paulo Haiddamus, o programa Reuni promoveu uma boa extensão, mas deficitária do ponto de estrutura. Por isto, para ele, o PROIFES, como entidade nacional que defende melhorias na educação como um todo precisa elaborar um diagnóstico detalhado e buscar do governo uma expansão com qualidade.

 

REUNI

De acordo com o Ministério da Educação (MEC), o governo federal investiu R$ 8,4 bilhões na expansão e reestruturação das universidades federais desde 2003. Dessa data até 2011, as vagas anuais de ingresso na graduação mais que dobraram nas federais, passando de cerca de 110 mil, em 2003, para mais de 230 mil em 2011.

O aumento das vagas de ingresso impactou no número total de matrículas em instituições federais, passando de 638 mil para mais de 1 milhão (2003-2011). Com o Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni), foram criados 2.046 novos cursos. A previsão é que até 2014 o Brasil tenha um total de 63 universidades federais, com 321 campus distribuídos em 272 municípios.

A pedido do jornal Folha de São Paulo, o MEC, detalhando o orçamento, mostrou que em valores corrigidos, a verba para investimento, que inclui construção, cresceu 142% de 2008 a 2012 – de R$ 1,2 bilhão para R$ 2,9 bilhões; a de manutenção, prevista em custeio, subiu 78% -de R$ 2,7 bilhões para R$ 4,8 bilhões. O aumento de recursos, porém, não foi suficiente para a conclusão de todas as obras previstas no programa de expansão Reuni.

Mécia Menescal
Assessora de Comunicação – PROIFES-Federação 

 Com informações da Folha de São Paulo 

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Agência Proifes

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