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“Um país que não investe em ciência e tecnologia é dependente dos países mais ricos”, afirmam debatedores

A comunidade universitária da UFG participou do Ciclo de Debates sobre corte de financiamento das IFES, organizado pelo Adufg Sindicato em parceria com o Sint-ifesgo, o Diretório Central de Estudantes da UFG e a Associação dos Pós-Graduandos da UFG (APG-UFG), realizado na noite de ontem (19/9) na Faculdade de Direito da UFG.

O evento contou com a participação do professor Enio Pontes, professor de Engenharia da Universidade Federal do Ceará (UFC) e presidente da Adufc Sindicato, do professor Romão da Cunha, representante da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência – Regional Goiás (SBPC-GO), do professor Edward Madureira, professor da UFG e eleito para a reitoria da instituição, e da presidente da Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG) Tamara Naiz. A mesa enfatizou a situação de penúria em que a pesquisa no Brasil se encontra e os efeitos degradantes que virão no futuro com os cortes de investimentos na área.

O Ciclo se iniciou com falas de apresentação da mesa diretiva, composta pelo presidente do Adufg Sindicato, professor Flávio Silva, pelo representante do Sint-ifesgo, João Pires, e pelo membro da APG-UFG, Carlos Eduardo Klein. Flávio Alves afirmou que a educação pública é um bem de todos. “A carreira dos professores tem retroagido, as bolsas de pesquisa estão sendo cortadas, assim como recursos para desenvolver os estudos. Não há orçamento suficiente para pagar as contas, tanto que o ano passado e esse ano a UFG fecha as contas com um déficit de 20 milhões”, explica o professor.

Segundo Carlos Eduardo Klein, a luta dos pós-graduandos vêm sendo pela manutenção dos direitos mais básicos, como a assistência estudantil e o pagamento das bolsas de pesquisa. “O governo prefere dar dinheiro aos bancos do que à ciência, sendo que 90% da ciência produzida no país é realizada pelos pós-graduandos”, afirma. O técnico-administrativo João Pires comentou que a principal tarefa dos movimentos sociais é buscar soluções que transformem a indignação popular contra o governo em instrumentos de luta.

O professor Enio Pontes afirmou que o país perdeu, no último ano, 44% dos investimentos no setor de ciência e tecnologia, equivalente a 42 bilhões de reais, gerando queda na qualidade acadêmica e grandes dificuldades para a universidade cumprir suas obrigações financeiras. “O atual governo extinguiu o Ministério de Ciência e Tecnologia e criou a PEC 55, que limita por 20 anos os investimentos em despesas primárias, onde se inclui a Educação, mas não limita as despesas secundárias, como o pagamento da dívida pública”, comenta o professor.

Segundo o professor, projetos científicos estratégicos para o país, que poderiam auxiliar na produção de medicamentos e colocar o Brasil no topo da produção científica mundial, como o Acelerador de Partículas Sirius, está com as obras incompletas e sem iniciar o funcionamento por conta da falta de investimento do Estado. “Outro problema que as dificuldades para se trabalhar com pesquisa no Brasil têm gerado é uma evasão de cérebros, com muitos jovens saindo do país para trabalhar com ciência e tecnologia no exterior”, explica. Hoje, por exemplo, mais de 70% dos vistos de brasileiros para entrar em Portugal são de estudantes, tentando trabalhar com pesquisa na Europa.

Sem universidade não há futuro

Em sua fala, o professor Edward Madureira afirmou que a expansão na rede federal de educação, que se deu com a implementação do Programa Reuni (Reestruturação e Expansão das Universidades Federais), e com a criação da rede de Institutos Federais foi feita de maneira desorganizada. “Houve uma crescente perda de autonomia das universidades, perda da representação jurídica e relação conflituosa com os órgãos regulatórios do governo. Têm carreiras de pessoal obsoletas, deficiência no quadro de técnicos, atraso no sistema de TI e crescimento da estrutura multicampi sem planejamento”, explica.

O docente, que a partir do ano que vem reassumirá a Reitoria da UFG, endossou as perdas das universidades com os contingenciamentos do governo, explicando como as metas do Plano Nacional de Educação (PNE) dificilmente serão atingidas. “O PNE pretende aumentar, até 2024, em 7% o número de mestres formados anualmente e 35% o de doutores, bem como garantir que 33% da população entre 18 a 24 anos esteja matriculada no ensino superior, sendo 40% em instituições públicas. O percentual do PIB investido na Educação também deve aumentar progressivamente, até 2024, de 6,1% para 10%”, afirma, comentando que as verbas para a educação pública caíram, entre 2011 e 2016, de 3,5 bilhões para 500 milhões.

Segundo Edward, “a PEC do Teto de gastos é o maior crime de lesa-pátria da história recente do Brasil, pois afeta diretamente por 20 anos diversas áreas essenciais para o país, entre elas ciência e tecnologia, que são essenciais ao desenvolvimento do país e à conquista da soberania nacional. Sem universidade não há futuro”, enfatiza.

O professor Romão da Cunha endossou o discurso dos colegas sobre a importância dos investimentos em ciência para a conquista de prestígio e independência econômica e científica do Brasil, afirmando que para cada 1 dólar aplicado na produção de ciência, o retorno, em um período de 8 a 10 anos, é de 80 dólares.

A beira de um colapso

Tamara Naiz, doutoranda em História e presidente da ANPG, afirmou que os cortes na Educação são tão profundos que a pesquisa está a beira de um colapso. “Atualmente menos da metade dos pós-graduandos têm bolsa, e mesmo as bolsas já existentes estão sendo ameaçadas de corte”, comenta.

A estudante definiu o atual governo federal como “ilegítimo, corrupto e entreguista, que está pondo o Brasil em liquidação, com o projeto de privatizar 1/3 das empresas estatais brasileiras até o fim do ano que vem”, endossando que o país só pode sair de sua situação de dependência estrutural dos centros internacionais de poder econômico, político e militar com mais investimentos em ciência e tecnologia, capazes de aumentar nosso desenvolvimento e reduzir as desigualdades sociais.

Fonte e foto: ADUFG-Sindical

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