Notícias PROIFES

SINDIEDUTEC – Pandemia e violência de gênero

A violência doméstica, um assunto já sensível socialmente, aumentou durante a pandemia. Além das relações em casa ficaram mais tensas, em períodos de crise, estas violências se acirram e, em mulheres mais vulnerabilizadas, suas redes de proteção social se tornam menos acessíveis. Estes são dados levantados ao longo de 2020 por organizações diversas que têm interesse na pauta de proteção à mulher.

Segundo dados do Instituto Igarapé, organização não governamental dedicada à integração das agendas de segurança, clima e desenvolvimento, as mulheres brasileiras, que sempre estiveram em múltiplas tarefas e jornadas de trabalho, agora estão sob maior pressão por conta do acúmulo de responsabilidades em meio doméstico, o que cria situações de stress e de fatores predisponentes para eventos de violência por parceiro.

 

Instituto Igarapé

 

A ONU Mulheres publicou em março de 2020 o briefingGênero e COVID-19 na América Latina e no Caribe: Dimensões de Gênero na Resposta”. Este documento reforça que no contexto da pandemia, estas violências aumentaram não só devido ao acréscimo das tensões em casa, mas também por aumentar o isolamento das mulheres. De acordo com o artigo, mulheres nestas situações, podem enfrentar obstáculos adicionais para fugir dos ambientes de violência ou acessar serviços de proteção devido ao isolamento social exigido pela quarentena.

Fora isso, o impacto mercadológico da pandemia e a pressão psicológica da situação de crise acrescenta o risco de um parceiro ser violento, além de maior exposição à violência sexual, inclusive com fins econômicos. Ainda de acordo com o relatório, um contexto de emergência aumenta os riscos de violência contra mulheres e meninas, especialmente a violência doméstica. Como culturalmente o cuidado dos familiares também fica a cargo do gênero feminino, a pandemia agrava o fardo desta parcela da população neste sentido, já que há a saturação – e em alguns casos o colapso – dos sistemas de saúde.

Deste modo, as mulheres que se encontram nestas situações passam mais tempo confinadas com seus agressores, vendo sua renda diminuída e a precarização do seu padrão de vida. É o que afirma o Fórum de Segurança em seu relatório sobre o tema. De acordo com o documento, uma das consequências de situações como as descritas acima tem sido a diminuição das denúncias, já que em isolamento muitas mulheres não têm conseguido sair de casa para fazê-la ou têm medo de realizá-la pela aproximação do parceiro. Este é um dos principais fatores de subnotificação atualmente. Embora os registros administrativos aparentemente indiquem redução da violência de gênero, os números de feminicídios e homicídios femininos apresentam crescimento, indicando que a violência doméstica e familiar está em ascensão. Só em São Paulo o aumento dos feminicídios chegou a 46% na comparação de março de 2020 com março de 2019 e duplicou na primeira quinzena de abril.

Se você está vivendo uma situação de abuso psicológico, material ou violência, qualquer que seja ela, ligue 180 e denuncie.

Fonte: Ascom SINDIEDUTEC-Sindicato

Notícias Relacionadas

Agência Proifes

Menu