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SINDIEDUTEC exige que decisões no Instituto Federal do Paraná sejam democráticas

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SINDIEDUTEC exige que decisões no Instituto Federal do Paraná sejam democráticas

Na sexta-feira do dia 23 de março, através da intensa mobilização de servidores e servidoras articulada pelo SINDIEDUTEC-Sindicato, a atual gestão retrocedeu o que seria uma decisão arbitrária sobre o ponto eletrônico e optou por criar uma proposta democrática. Foi um momento histórico para o IFPR, especialmente considerando os últimos anos em que esteve sob intervenção. Há o risco, porém, de que este não tenha sido o começo de uma fase democrática e participativa, mas sim um breve e isolado respiro em um clima de sufocamento autoritário.

Os sinais estão por toda parte:

O Ministro da Educação, Mendonça Filho, assinou uma Portaria revogando “a autorização de funcionamento da unidade Campus Avançado Sobradinho, do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Brasília IFB”. Segundo o site Vermelho.org, o Governo Temer já havia reduzido verbas de laboratório no ano passado, o que se reflete na velha estratégia neoliberal de sucatear para depois rifar a estrutura para o setor privado.

Em outra decisão polêmica e autoritária, o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia São Paulo, IFSP, está perto de ser dividido em dois. A denúncia foi feita pela Associação dos Docentes do Instituto Federal do Estado de São Paulo, ADIFESP, o qual “entende que uma proposta de divisão do IFSP deva ser debatida exaustivamente pela comunidade – algo que não ocorreu em 2015 e que não está ocorrendo na atual proposta. Afinal, a quem interessa uma divisão feita às pressas sem nenhuma discussão com a comunidade do IFSP? Ao que parece, na proposta de divisão, não há nenhuma intenção de melhorar o nível, a qualidade e a quantidade de cursos ofertados”.

Com todos estes desmandos, poucos Institutos estão tão vulneráveis quanto o IFPR, há anos sob intervenção e sem uma Gestão democrática. Talvez daí a origem dos rumores de que ele será dividido aqui no Paraná, o que será novamente uma decisão unilateral e autoritária de um governo que atende apenas aos interesses da classe rentista, cortando em investimentos necessários e liberando verba para intervenções ou para garantir que suspeitos de corrupção não sejam investigados.

A verdade é que os Institutos Federais são uma ameaça para um sistema que depende de uma massa acrítica. Ao interiorizar a educação de qualidade, incentivando a formação do corpo docente e técnico, os IFs suprem o Brasil de uma massa trabalhadora capaz de assumir postos de trabalho deficitários pelo apagão técnico promovido pelo Governo do PSDB. Mas, para além disso, formam trabalhadores que não serão alienados de seu processo de trabalho, que pensam criticamente e são capazes de apresentar soluções inovadoras e, ao mesmo tempo, reivindicar melhores condições.

O Brasil passou de 140 escolas técnicas para cerca de 650 unidades de ensino divididas em 38 Institutos Federais que atendem mais de um milhão de estudantes que irão aprender a “derrubar as barreiras entre o ensino técnico e o científico, articulando trabalho, ciência e cultura na perspectiva da emancipação humana”, como afirma Eliezer Pacheco no livro “Institutos Federais – Uma revolução na educação profissional e tecnológica”. Ele foi Presidente do INEP e Secretário da Setec de 2005 a 2012 e que co-redigiu a obra com outros dirigentes do MEC, quando da formação da Rede Federal EPCT.

Qualquer proposta de divisão do IFPR não pode ser feita através de uma Portaria de um Ministro de um Governo ilegítimo. Caso seja necessário e relevante para o estado e os arranjos produtivos locais, o que deve ser apontado através de diagnóstico sério e independente. A forma como esta divisão deve ser feita é através de consulta democrática com todo o corpo de servidores da instituição. Só assim será possível atender às necessidades da população e evitar o que já está acontecendo no IFSP: politicagem e disputa por cargos comissionados que dobram com a criação de uma nova Reitoria.

O SINDIEDUTEC-Sindicato é contra qualquer alteração que não seja debatida amplamente e referendada pelos servidores e servidoras e toda a comunidade escolar que integram o IFPR.

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