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Seminário no Recife debateu concepções e modelos da universidade pública estatal

O PROIFES-Federação, em parceria com a Adufepe, realizou em Recife (PE) entre os dias 28 e 29 de setembro o seminário “Concepções e Modelos de Universidade Pública e Estatal”.  Voltado a estudantes, professores e técnicos da universidade, o evento reuniu icones das instituições de ensino superior de todo país para debater os conceitos que envolvem a universidade brasileira.

Para Eduardo Rolim (ADUFRGS-Sindical), em um momento de contingenciamento de recursos das Universidades, o movimento sindical tem que estar sempre forte e unido para poder resistir a estas políticas, como a reforma da Previdência, e para lutar em defesa da educação pública, com eventos como a Conferência Nacional Popular de Educação, Conape, que será realizada em 2018.

 

De acordo com o presidente da ADUFEPE Augusto Barreto, “esse evento é fundamental para discutir um novo projeto de estado”. “Discutir concepções é refletir sobre a universidade que queremos e principalmente sobre o que precisamos mudar nela”. No vídeo a seguir, Augusto Barreto faz um balaço dos primeiros debates realizados nos debates de abertura do encontro.

 

Internacionalização

A palestra Internacionalização da Universidade brasileira, ministrada pelo prof. Carlos Alexandre Neto da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), abriu o seminário Concepções e Modelos de Universidade pública e estatal na manhã desta sexta-feira (29), no auditório da ADUFEPE. O palestrante, que é ex-reitor da UFRGS, iniciou trazendo uma reflexão sobre desenvolvimento e pontuou objetivos, resultados, sujeitos, obstáculos e ações relativas ao tema. A internacionalização da universidade tem o objetivo de “integrar dimensões internacionais e culturais entre países para aumentar a qualidade da pesquisa e trazer contribuições significativas para a sociedade”.

Enviar e receber estudantes de outros países, promovendo o intercâmbio cultural e intelectual é uma realidade que precisa ser debatida em tempos em que faltam recursos para a continuidade de programas como o Ciência sem Fronteiras. O prof. Carlos Alexandre avaliou os programas de mobilidade destacando a importância deles na experiência pessoal e cultural. “Em muitos casos a questão cultural é tão importante quanto a acadêmica“. Ele levantou também aspectos críticos, como aqueles que veem a internacionalização apenas com objetivos mercadológicos. Para o palestrante, esse intercâmbio global é fundamental para a qualidade da pesquisa e para o desenvolvimento social. “A colaboração internacional maximiza o impacto da pesquisa”. É o que mostrou num gráfico que apresenta o impacto da colaboração internacional x área do conhecimento, através do número de citações por países. Por fim, o professor propôs dois tipos de mobilidade acadêmicas: uma que vise o ensino e outra a extensão.

Contingenciamentos

Entre os obstáculos a superar para a efetiva internacionalização, aparece o terrível impacto do congelamento dos gastos públicos. Essa questão está perpassando todos os debates do seminário realizado pela ADUFEPE, provando a urgência da pauta dos docentes das federais que reivindicam melhores condições de trabalho e o avanço do trabalho científico nas universidades. ”Nós todos acompanhamos as dificuldades das universidades ao fechar as contas atualmente. Nós vivemos uma crise de financiamento, precisamos trabalhar em conjunto e buscar respostas para essas crises”, declara o professor Carlos Alexandre Netto.

Na sequência, encerrando o encontro, o secretário executivo da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior, Gustavo Balduíno, destacou os desafios das Universidades frente a um cenário de restrição orçamentária decorrente da Emenda Constitucional 95.

No evento foi aprovado um manifesto em defesa da educação pública, que segue abaixo, na íntegra:

Manifesto em defesa da Universidade Pública e Gratuita

Os sindicatos de docentes das Instituições Federais de Ensino Superior (IFES) reunidos no Seminário Concepções e Modelos de Universidade Pública Estatal consideram inaceitáveis os ataques ao ensino superior gratuito e universal promovidos pelo governo de Michel Temer. As restrições aos orçamentos das IFES, e o congelamento de gastos sociais pelos próximos vinte anos, impostos pela Emenda Constitucional 95 (EC 95), apontam para um futuro sombrio, inviabilizando as universidades e Institutos Federais em suas bases atuais.

A privatização e mercantilização do ensino em todos os níveis é o objetivo inequívoco deste movimento, que busca direcionar recursos públicos aos cofres dos grandes grupos privados de educação, entre eles gigantes internacionais do setor. A universidade pública, assim como a educação em todos os níveis, é prevista no Artigo 205 da Constituição Federal de 1988, que garante sua concepção plural e universalista.

É a universidade pública estatal quem, por larga margem, produz e avança a ciência brasileira, em diferentes áreas, promovendo conhecimento e desenvolvimento social em todas as regiões do país. Esta mesma universidade, gratuita, permite que milhões de estudantes brasileiros possam ter acesso ao ensino superior, incluindo, cada vez mais, minorias e grupos historicamente subrepresentados no espaço universitário.

Por estes motivos, pedimos a recomposição imediata dos orçamentos das IFES, o fim da privatização e mercantilização do ensino público, a revogação imediata da EC 95, e a manutenção de um ensino superior gratuito, inclusivo, plural e democrático, com a autonomia que lhe é devida pelo Artigo 207 da mesma Constituição Federal de 1988.

Recife

29 de setembro de 2017

Com informações Adufepe-Sindicato

Foto: Adufepe/Divulgação

 

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Agência Proifes

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