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PROIFES debate Reforma do Ensino Médio e questões de gênero na manhã do segundo dia do FSM 2018

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PROIFES debate Reforma do Ensino Médio e questões de gênero na manhã do segundo dia do FSM 2018

A manhã desta quarta-feira, 14, segundo dia do Fórum Social Mundial 2018, o PROIFES-Federação e seus sindicatos federados debateram a Reforma do Ensino médio e questões de gênero. O primeiro evento foi a roda de conversa “Reflexões sobre a Reforma do Ensino Médio”, realizada na sede da Apub-Sindicato, e promovida pelo Sindiedutec-PR, sindicatos federados ao PROIFES. A professora Elizabete dos Santos e o professor Thiago Divardim, ambos do IFPR e membros do GT-Educação do Proifes, foram os expositores.

O processo antidemocrático de implantação da reforma foi o primeiro ponto, e crucial, abordado por Elizabete, que iniciou o debate. Ela explica que a medida do governo federal ignorou anos de discussões nacionais e acúmulos sobre a educação básica, que deram origem à Base Nacional Curricular Comum. O caráter autoritário da Reforma exemplifica-se no fato de uma decisão como esta não envolver os protagonistas da ação educativa – professoras/es, estudantes e a Escola como um todo. “Esta reforma foi pensada em gabinete, dentro do MEC, para ser implantada nas escolas de todo país”, explica ela.

Foram ainda apontadas questões específicas da medida, que são danosas e apontam enormes retrocessos tanto para a qualidade quanto para o acesso à educação pública, a exemplo da carga horária anual flexibilizada e sem parâmetro, com margem de execução entre 800 e 1.400 horas; ausência de ações para valorização docente e qualificação da infraestrutura escolar, antes garantidas pelo Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (FUNDEB); desmonte do programa de Educação para Jovens e Adultos, que garante educação noturna e afetará diretamente a população trabalhadora mais pobre; privilegiar áreas de formação como português e matemática; entre outros pontos.

A perspectiva epistemológica e política foi abordada pelo professor Thiago, que trouxe a constituição histórica da identidade do Ensino Médio, passando pelos governos FHC, Lula, Dilma e Temer. Nos últimos anos, houve uma mudança de concepção fundamental, que passou da ideia de formar para o mercado para a necessidade de promover uma formação humana mais ampla, que capacite também para o mundo do trabalho. Nesse contexto, entra a criação dos Institutos Federais, que ampliaram a formação técnica para profissional e integrada.

As políticas implantadas nos governos tratam da forma de produzir conhecimento, o conteúdo e seus objetivos. Portanto, a reforma do ensino médio traz um debate epistemológico e não apenas político, sobre a educação. O professor refletiu sobre a pergunta “para que serve a educação?”, e criticou ainda ser uma questão submetida às mudanças de governos, e não como parte de uma política de Estado ou de um projeto nacional.

Sobre a rápida aprovação da Reforma, foi categórico: “responde a uma demanda do mercado”.

No período da manhã, também no auditório da APUB, o PROIFES, por meio de seus sindicatos federados: ADURN-Sindicato, SINDIEDUTEC e ADUFSCAR, foi o espaço de conversa sobre as formas de enfrentar a persistente realidade de desigualdades de gênero e de todas as formas de violência contra as mulheres.

A partir da exibição de um vídeo produzido pelo ADURN-Sindicato com o relato de mulheres que venceram barreiras dentro da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, as sociólogas Taís Madeira e Maria Inês (ADUFSCAR), a historiadora Leilane Assunção (ADURN-Sindicato), primeira mulher trans a assumir o cargo de professora em uma universidade pública do Brasil, e a professora de economia Matilde dos Santos conduziram o debate da temática sob a coordenação da professora Gilka Pimentel, diretora de Comunicação do PROIFES-Federação e vice-presidente do ADURN-Sindicato.

O abismo das diferenças de classe, gênero e raça na sociedade brasileira deu o tom à fala da historiadora Leilane Assunção, que ressaltou o lugar paradoxal que é a universidade. “Apesar de também ser o lugar da potência, da criatividade, das ideias libertárias, ela também é um lugar de reprodução de todos os preconceitos que circulam na sociedade”, afirmou Leilane.

Seu depoimento de descontrução da docência que exclui a condição de gênero foi reforçado pela travesti Megg Rayara Gomes de Oliveira, professora substituta da Universidade Federal do Paraná que afirma ter adotado o conceito “Preta” em contraposição ao movimento negro, que não faz a inclusão dos LGBTs.

Com o diagnóstico de que o poder é um domínio ocupado hegemonicamente ainda por homens, as várias vivências compartilhadas demonstram de forma clara que as decisões de políticas públicas do país são essencialmente masculinas, e nesse contexto, as decisões quanto às relações de gênero não carregam sensibilidade.

Ao final do debate, o ADURN-Sindicato prestou uma homengem à Leilane Assunção, com a entrega de um buquê de flores pela passagem de seu aniversário.

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