Notícias PROIFES

Professores e técnicos do ICB da UFG votam indicativo de greve

Docentes e técnicos do Instituto de Ciências Biológicas (ICB) da Universidade Federal de Goiás (UFG) discutiram nesta terça-feira (27) em assembleia geral o problema da insalubridade dos laboratórios e a insatisfação com as posições adotadas pela reitoria em relação aos funcionários, que tiveram a insalubridade reduzida de 20% para 10%. Após a assembleia, professores e técnicos fizeram uma plenária para discutir ações e adotar um cronograma de mobilização em favor da isonomia dos servidores e do indicativo de greve.

Na plenária, professores e técnicos da UFG votaram por unanimidade indicativo de greve com reunião entre docentes e técnicos. Além disso, decidiram uma reunião com o reitor Edward Madureira nesta sexta-feira, 02/03, às 9 horas para cobrar posicionamento sobre a insalubridade. Os servidores também vão formalizar denúncia sobre as condições de trabalho (periculosidade) no Ministério Público e no Corpo Militar de Bombeiros e dar ampla visibilidade da situação do ICB na comunidade por meio de nota oficial a ser divulgada na imprensa e distribuída para a população.

O presidente do Adufg Sindicato, Flávio Alves da Silva ressaltou o papel do sindicato na luta pela carreira docente e pelas condições de trabalho na universidade e reforçou a necessidade de união de esforços em prol das mudanças. “O sindicato não age sozinho, mas com sindicalizados. Iremos convocar assembleia o mais breve possível para discutir as condições de trabalho. A universidade tem que ter infraestrutura para as pessoas, equipamentos para montar laudos, fazer avaliações”. O professor Walmirton destacou que “o sindicato quer isonomia não apenas para a questão do ICB, mas de todos os locais que devem ter condições adequadas de trabalho. A meu ver a reitoria não sabe como corrigir esse erro e agora há um impasse”.

O professor aposentado do ICB e vice-presidente do Adufg Sindicato, Walmirton D’Alessandro, contou aos colegas que em 37 anos de dedicação ao ICB sempre recebeu insalubridade de 20% e que é evidente a necessidade dela. “O instituto é um dos locais mais insalubres de toda a universidade. A análise realizada foi apenas qualitativa, a quantitativa nunca foi feita, até mesmo porque custaria cerca de 8 mil reais por laboratório. Só uma análise técnica do ICB inteiro seria inviável financeiramente para a UFG”.

Precariedade

“O que queremos para nossa saúde?” foi o principal questionamento dos professores e técnicos, que debateram amplamente a qualidade de vida deles na universidade. O professor Fausto Nomura destacou que apesar das reuniões com a reitoria não há posição sobre o assunto e fica a impressão de que a reitoria vem protelando. “Tenho visão de que o ICB pela sua capacidade de ensino, pesquisa e extensão tem menor visibilidade do que deveria ter. Parece que a reitoria está mais preocupada em como será avaliada nas instâncias superiores, como o MEC, do que com nós que trabalhamos aqui”, enfatizou.

Professores e técnicos descreveram as condições insalubres e a periculosidade dos laboratórios, que vai desde extintores vencidos a ratos e morcegos dentro dos ambientes de trabalho. Segundo funcionários, falta o mínimo de segurança nos prédios, até mesmo as unidades construídas com o REUNI não têm saída de emergência e os prédios antigos não foram reformados, mesmo com a previsão no programa do governo federal.

O diretor do ICB, Reginaldo Nassar, fez uma retrospectiva de todo o problema da infraestrutura, cujos prédios foram construídos sem planejamento adequado. “Não há sequer ralos nos laboratórios, nem nos laboratórios novos. Na época do REUNI fizemos um planejamento dos laboratórios no conselho diretor e não foi levado em consideração. Reforma nos prédios antigos não resolve nosso problema”.

“A UFG contratou empresa para avaliar os laboratórios mas ninguém sabe quais os critérios de avaliação. Todos nós estamos sujeitos aos mesmos riscos, material biológico ultrapassa barreiras. Estamos expostos a aspiração de éter, a bactérias, à diversidade biológica”, afirmou a professora Maria Nazaré Stevaux após compartilhar com os servidores vários exemplos de acidentes ocorridos. Segundo ela, que sofre de um tumor na coluna e no joelho por conta do trabalho, tem professores que tiveram que ser transferidos de unidade por questões de saúde. Em um caso mais recente, um professor sofreu um acidente com material biológico e corre risco de perder a visão. “Condição de trabalho é questão de dignidade. O que temos hoje é esforço do próprio ICB, não da reitoria”, afirma.

Fonte: ADUFG-Sindicato

Notícias Relacionadas

Agência Proifes

Menu