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“Precisamos encontrar uma estrutura de cooperação Sul-Sul”, afirma Tamarit na UFRGS

Ex-reitor da Universidade de Córdoba e coordenador da CRES 2018, Francisco Tamarit falou no ILEA nesta segunda sobre os desafios pós CRES

“A América Latina e o Caribe precisam articular um sistema de ensino superior que se envolva com os problemas globais de cada país e da região. Temos que aprender, como fizeram outras regiões, que a essência da mudança para melhorar está em cooperar e não em competir”. A conclusão é do ex-reitor da Universidade Nacional de Córdoba e coordenador da CRES 2018, Francisco Tamarit, que falou na tarde desta segunda-feira, 24, no Ciclo de Debates Universidade do Futuro do ILEA no campus do Vale da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
Tamarit falou sobre os desafios da universidade da América Latina e Caribe pós CRES 2018, realizada em junho na Universidade de Córdoba, 100 anos depois da reforma universitária argentina iniciada pelos estudantes naquela universidade e que transformou a educação superior no continente.

Para o doutor em Física, a universidade latinoamericana está bem envolvida e resolvida com a problemática territorial com uma capilaridade profunda, como no caso do Brasil onde há campi espalhados pelo país e quase todo o território está sendo observado, estudado e compartilhado. Mas, “essa capilaridade não termina de pergolar, como se diz em Física, não se unifica em uma grande ilha de conectividades que permita ao sistema se ocupar também dos dilemas globais dos nossos países e da nossa região. E esses dilemas não estão na agenda das instituições de ensino superior da América Latina e do Caribe”.

Para Tamarit os problemas são grandes e graves, como a insustentabilidade do desenvolvimento, a baixa competitividade da atividade produtiva e a falta de reconhecimento cultural. “Temos também um problema de integração. Não existe no mundo uma região que tenha duas sub regiões, Caribe e América Latina Continental, com tão pouco vínculo. O continente está claramente desagregado”. Além disso, “nosso sistema educativo está muito heterogêneo e dividido, não trabalha conjuntamente, não tem reconhecimento de qualidade entre nossos países, não temos uma agenda de conhecimento envolvendo ensino, pesquisa, vinculação com a sociedade”.

Como parte da solução, pensada no contexto de debates da CRES, diz, “precisamos encontrar uma estrutura de cooperação Sul-Sul”. Nesse espaço, os países poderiam articular mobilidade acadêmica, “que é muito cara, mas muito importante” e desafios científicos. “Nossos países têm uma tradição de ser parte de cooperações científicas nas quais temos um papel muito secundário. Isso tem que ser substituído por um olhar integral” sobre as questões comuns da região. Tamarit cita a segurança alimentar, marginalidade urbana, mitigação da mudança climática como problemas que poderiam ser “atacados com a ajuda do mundo do conhecimento”. Outro elemento importante desta cooperação Sul-Sul é compartilhar os processos de acreditação e controle da qualidade. “A América Latina continua a se negar a aceitar a atividade universitária do parceiro, do vizinho. Somos a única região do mundo que não tem um sistema de reconhecimento de atividades. Existem as garantias para que a América Latina possa ter um sistema institucional de reconhecimento no qual a qualidade seja um elemento fundamental e que nos permita compartilhar esforços, atividades, programas”. Hoje, destaca “não existem problemas que sejam de um só país ou que somente um país ou disciplina possa resolver. Hoje o mundo requer soluções complexas e integrais. A pobreza, a discriminação, a falta de industrialização são problemáticas comuns a todos nós”.

Para Tamarit o grande desafio é consolidar o ensino superior na região como um direito, um bem social e de responsabilidade dos governos, como declarou a CRES 2018, e colocar todo o potencial do mundo do conhecimento a serviço dos países.

Esse processo requer uma mudança de atitude das  instituições, mas também uma nova forma de dialogar com as sociedades e com os governos. “Precisamos entender que não existe um futuro de bem viver e prosperidade para nossos povos se não for para todos juntos e sem a colaboração do mundo do conhecimento”. Na verdade, acrescenta o ex-reitor, “as experiências do mundo mostram que o bem mais importante que uma sociedade tem para melhorar a qualidade de vida é o conhecimento. Não é mais a produção primária agropecuária, nem o minério. Precisamos fazer do conhecimento um bem social e isso tem que ser entendido pela sociedade e pela Academia também”.

Nesta terça-feira, 25, Francisco Tamarit participa, no Centro Cultural da UFRGS, do painel A educação superior no Pós-CRES 2018, promovido pela Associação Nacional dos Dirigentes de Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), a Associação Brasileira dos Reitores das Universidade Estaduais e Municipais (Abruem) e o Conselho Nacional das Instituições da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica (Conif), e conta com a coordenação da UFRGS.

Programação

8h30

Mesa de abertura: ANDIFES, ABRUEM e CONIF

9h

Conferência de abertura: Francisco Tamarit, Universidade de Córdoba

10h

Mesa 1: “O significado do manifesto da CRES 2018 para a Educação Superior na América Latina e no Caribe”
Painelistas: Debora Ramos (UNESCO-IESALC), Reitor Gustavo Oliveira Vieira (UNILA) e Reitor Paulo Afonso Burmann (UFSM)

Coordenação: Nicolas Maillard – UFRGS

12h

Almoço

13h30

Mesa 2: “O significado do manifesto da CRES 2018 para a Educação Superior no Brasil”
Painelistas: Reitora Ângela Maria Paiva Cruz (UFRN), Reitora Carla Comerlato Jardim (IFFar), Reitora Cleuza Maria Sobral Dias (FURG), Reitor Dácio Roberto Matheus (UFABC), Reitor Jaime Giolo (UFFS), Reitor Haroldo Reimer (UEG) e Reitor Reinaldo Centoducatte (UFES)
Coordenação: Reitor Anísio Brasileiro – UFPE

15h30

Mesa 3: “O que fazer com o manifesto CRES 2018 nos próximos 10 anos”
Painelistas: Reitor Emmanuel Zagury Tourinho (UFPA), Reitora Sandra Goulart Almeida (UFMG), Alvaro Maglia (AUGM) e Mateus Fiorentini (OCLAE)

Coordenação: Carlos Alexandre Netto – UFRGS

17h30

Aprovação do Documento final e encerramento.

Texto e fotos: Manoela Frade – Ascom ADUFRGS-Sindical

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