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Para Ângela Ferreira, nova gestão terá o desafio de consolidar o Novo Movimento Docente

Em entrevista, a professora Ângela Ferreira, eleita presidente do ADURN-Sindicato para gestão de 2012 a 2015, faz uma breve avaliação do resultado da eleição e ressalta os desafios da categoria docente para os próximos três anos.

1.      Esta foi uma eleição com chapa única, mas que contou com uma campanha pelo voto nulo. Logo após o encerramento da apuração, a chapa foi proclamada eleita com 89% dos votos, e apenas 3% foram considerados nulos. O que representa este resultado?

Interpreto este resultado como uma consequência do trabalho das últimas gestões que realmente consolidaram um novo movimento docente e mudaram a direção da prática sindical como um todo, muito mais propositiva e que se pauta muito mais pela negociação, com ideias e resultados. Historicamente, o Movimento Docente tinha uma pauta muito geral, e hoje se volta mais para os professores, para seu cotidiano e especificidades. É tanto que foi formada uma nova entidade, a nível nacional,  especificamente para as Instituições Federais de Ensino Superior, o PROIFES-Federação, exatamente para se voltar mais para as questões específicas dos docentes das IFES. Este resultado, então, legitimou este trabalho que vem sendo realizado pelo ADURN-Sindicato nos últimos anos.

 1.      A senhora já exerceu a vice-presidência da entidade e ocupou a diretoria em outros momentos. Agora assumirá o cargo de presidente após a transformação da ADURN em Sindicato. O desafio é maior?

Já participei de duas outras gestões, como diretora e vice-presidente, e foi um momento muito difícil, de muito embate político, de muitos conflitos, onde uma minoria decidia os nortes do Movimento Docente e da luta sindical, e geralmente era confronto pelo confronto. Era uma luta pautada em muitas assembleias, com desgastes e agressões, que resultava no esvaziamento dos debates e permitia que esta minoria ganhasse no grito. Não tínhamos como trabalhar, ao contrário. Hoje, só topei este desafio porque o Sindicato se encontra muito mais definido politicamente. Conseguimos uma vitória importante, que foi a desvinculação da Andes, e a transformação da ADURN em Sindicato autônomo, com base territorial, e com muito mais autonomia de luta. Somos filiados a uma outra entidade nacional, que fortalece a luta do sindicato, articulando os sindicatos das IFES em todo o país, mais temos muito mais liberdade de atuação a nível estadual. O desafio agora é consolidar esta nova vertente, este novo movimento que consideramos que caminha no sentido de fortalecer as universidades e o trabalho docente de forma propositiva. Sempre digo  que não existe nenhuma categoria de trabalhadores mais privilegiada que os professores universitários. Somos considerados a inteligência do país, então temos toda a capacidade de negociar e ter subsídios teóricos para negociar a altura com o Governo.

2.      Foram estas dificuldades, vivenciadas em outros momentos, que fizeram surgir um Novo Movimento Docente nas Universidades?

Surge fruto da truculência e do sectarismo. Os docentes não aguentavam mais serem direcionados por uma minoria que falava em nome de toda a categoria mas que, na verdade,tinham outros interesses, intenções e objetivos, desgastando muito o movimento. Já existia anualmente no calendário dos professores a greve, todo ano eram realizadas paralisações, mas a taxa de adesão foi diminuindo. Então, cerca de 10% a 20% dos docentes faziam a greve, mudava todo o calendário acadêmico e trazia prejuízo para toda a categoria. Sem falar que a própria sociedade não apoiava, não aceitava mais. Muitos alunos passaram a cogitar estudar em Universidades particulares para ter a garantia de que terminariam o curso. A ideia do movimento docente no passado era primeiro a greve para fazer pressão e depois vamos negociar sob pressão. Era uma concepção que não trazia mais resultado e exigia do Movimento Docente uma mudança de postura. Precisaríamos esgotar todas as possibilidades para depois, se necessário, poder entrar em greve.

3.      O que os docentes da UFRN podem esperar dessa nova gestão?

Será uma gestão que irá consolidar essas propostas que já vem sendo implementadas pelas gestões anteriores, da prática política em si, e se voltar mais para as questões específicas dos docentes, para o seu cotidiano nas Universidades. Hoje, como já coloquei aqui, a pauta do movimento docente quando da sua criação, no período da Ditadura Militar, quando se buscava a redemocratização do país, já está superada. Hoje vivemos um novo momento, em que, após muita luta, conquistou-se o Estado de Direito, mais aberto e democrático. É um momento diferente e que, por isso, exige uma luta diferente. Então, esta pauta mais geral já foi superada e precisamos nos voltar para os problemas mais específicos, das condições de trabalho.

 4.      Quais os desafios colocados para o Movimento Docente nos próximos três anos?

Eu considero três eixos muito importantes. A questão do novo regime de Previdência, que precisa ainda ser muito debatido para entendermos como vai funcionar e poder ainda influenciar, a reestruturação da Carreira e a busca pela recuperação das perdas salariais, que hoje giram em torno de 14%. As demais lutas dizem respeito ao dia-a-dia dos Docentes nas Universidades.

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Agência Proifes

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