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“O teatro cria seres humanos mais completos, mais sensíveis e mais humanos,” afirma D’Agostini

Em mais uma edição do Encontro com Aposentados, a ADUFRGS promoveu um debate sobre “A Prática do Teatro para a Vida” na tarde desta terça-feira, 24. A mediação foi feita pela 1ª secretária do Conselho de Representantes da ADUFRGS, Graciela Quijano, professora aposentada do Instituto de Letras da UFRGS.

A professora da UFSM, Nair D’Agostini, foi convidada para refletir sobre como a arte teatral pode interferir nas ações cotidianas no sentido de proporcionar uma vida mais prazerosa.

D’Agostini contextualizou o tema do debate explicando sua teoria fundamentada nas descobertas de Konstantin Stanislávski, autor que propôs o trabalho sobre si mesmo como um modo de existência. Para ela, o autor deixou um grande legado que chamou de sistema. “Uma parte deste sistema é o trabalho do ator sobre si mesmo, que ele coloca como uma forma de criar uma segunda natureza. Através da própria experiência pessoal e de observar outros artistas, ele sistematiza o que seria necessário para que o ator tivesse uma vida plena em cena, que ele fosse realmente um ser vivo e não um ser que fica declamando, interpretando, apenas.”

A professora vai além e esclarece que este trabalho pode beneficiar qualquer pessoa porque transcende a arte e leva para um plano pessoal de desenvolvimento pessoal. Para ela, a pandemia e o isolamento social não impedem a realização dessas técnicas que melhoram o bem-estar. “Através da percepção, concentração, imaginação e diversos outros elementos que trabalham sobre si próprio, podemos buscar um aperfeiçoamento pessoal nas nossas ações cotidianas mesmo estando nas nossas casas.”

Segundo Nair podemos realizar este trabalho individual, chamado por Stanislávski de toalete do ator. “Este toalete, formado pela imaginação, concentração, tempo, ritmo e liberdade muscular, pode ser feito também nas nossas casas. Para isso, precisamos estar presentes em cada tarefa que realizamos. É possível começarmos a observar as nossas ações em cada momento da nossa vida através de algumas técnicas como concentração, yoga, ginástica e pilates, entre outros. Quando estamos focados no momento presente e concentrados nas nossas ações, as nossas células se sensibilizam e a nossa vida se torna mais prazerosa. Também pode ser trabalhado em grupo porque também trabalha a relação com o outro.”

A mediadora Graciela Quijano colaborou com o debate afirmando que “o exercício teatral pode ressignificar a nossa vida através da aquisição da consciência corporal que leva a um relaxamento facilitando a nossa criação e propiciando um maior fluxo de energia interna”.

A professora da UFRGS, Dinorá Fraga, questionou a importância do resgate do corpo na Educação, principalmente no ensino fundamental e no ensino médio. Ao responder, a professora Nair afirmou que “por conta de todas essas políticas educacionais atuais pelas quais estamos passando, o teatro está ficando cada vez mais com menos espaço nas escolas, assim como toda a arte. No entanto, ele é muito importante para o desenvolvimento das crianças. Para elas terem um desenvolvimento harmônico, qualquer arte é fundamental (cinema, teatro), mas o teatro, especialmente, trabalha muito a questão corporal, a sensibilização em si. É através das nossas sensibilizações internas que aprendemos a nos sensibilizarmos com o outro. Se não buscarmos as nossas sensibilizações em nós mesmos, não conseguiremos nos sensibilizar pela causa do outro. É dessa forma que conseguimos assumir nossas dores, tristezas, alegrias e, consequentemente, conseguimos enxergar o outro.”

O ciclo de lives Encontros com Aposentados é promovido pela ADUFRGS em parceria com o Núcleo de Multiatividades do sindicato. A atividade foi transmitida no YouTube e Facebook da ADUFRGS.

Confira a live nos links abaixo:

Assista pelo YouTube da ADUFRGS
Assista pelo Facebook da ADUFRGS

Fonte: Portal Adverso

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