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“O prato do brasileiro está vazio e não vamos nos calar!”, ecoou o PROIFES-Federação no Fórum Social das Resistências

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“O prato do brasileiro está vazio e não vamos nos calar!”, ecoou o PROIFES-Federação no Fórum Social das Resistências

A fome que assola a população do Brasil foi o tema central da programação do PROIFES-Federação no Fórum Social das Resistências. O evento está sendo realizado na cidade de Porto Alegre/RS e segue até amanhã, 30. As atividades da Federação ficaram concentradas na última quarta-feira (27). Durante todo o dia, professores e professoras dos sindicatos federados debateram e alertaram a sociedade gaúcha sobre a situação de insegurança alimentar e nutricional enfrentada por 55% dos brasileiros, de acordo com dados de 2021. O ADURN-Sindicato participou da programação.

Fome não é Fake

Durante a manhã, a roda de conversa “Fome não é fake – Direitos Humanos negligenciados no Brasil pós-golpe” partiu do tema central da atividade para debater de forma mais ampla a defesa da Democracia e dos direitos fundamentais assegurados pela Constituição Federal de 1988. Conduzida pelo presidente do ADURN-Sindicato, Oswaldo Negrão, e pelas professoras Maria Elizabeth da Silva (APUB-Sindicato) e Sônia Ogiba (ADUFRGS-Sindical), a discussão também abordou a forma como o avanço da ideia de Estado Mínimo vai conflitando e desfinanciando programas sociais, que cumprem com a promessa constitucional de garantia desses direitos.

Para Negrão, o desfinanciamento de programas sociais confronta principalmente os artigos 3 e 6 da Constituição – são eles que versam sobre os objetivos do Estado Democrático e os direitos sociais a serem defendidos por todo cidadão brasileiro. “É elementar e fundamental trazer o debate porque quando defendemos direitos sociais defendemos a Constituição. São elementos que atravessam o cotidiano da sociedade como um todo. São elementos do Estado Democrático de Direito”, explicou. Oswaldo salientou que, se estes princípios fundamentais fossem levados com maior seriedade, a Emenda Constitucional 95, que determina o teto dos gastos, não teria avançado.

Levando em consideração que as pessoas mais afetadas pela negação desses direitos são aquelas que já se encontram em situação de vulnerabilidade, Sônia Ogiba destacou: “temos uma herança cultural histórica aliada a um abuso institucional que abrange vítimas cujo perfil coincide com as populações já brutalizadas pela ordem social”.

Dentro desses grupos mencionados por Sônia estão as mulheres, principalmente as pretas e pardas. Foi o que reforçou Maria Elizabeth. Ela acredita que um dos meios de começar a resolver essa problemática é a defesa intransigente da inclusão por vias institucionais. “A violência da fome desemboca nas mulheres. Precisamos substituir a bíblia pela Constituição para combater o obscurantismo. Andar com a Constituição embaixo do braço”, ressaltou.

 

Foi unânime a posição dos integrantes da mesa de que é necessário ao movimento sindical reconhecer suas falhas e incluir estas e outras discussões em sua pauta. “O sindicalismo contemporâneo também precisa se preocupar com os fatores mais abrangentes da nossa sociedade. Nós que somos sindicatos da Educação precisamos construir universidades e institutos federais que permitam aos estudantes discutirem esses temas, e os formem para a Democracia”, declarou Ogiba.

Negrão enxerga na Educação o potencial transformador necessário para o enfrentamento do desmonte do Estado Democrático e também para a reconstrução da sociedade. “Precisamos falar sobre essa sociedade com estratégias que não nos diminuam. Enfrentar a violência com outras estratégias; enfrentar a brutalidade com amorosidade, reconhecendo nossas potencialidades e individualidades como sujeitos de direitos”, defendeu. Para ele, este é um dos meios de fortalecer a Federação.

Para Silva, a discussão deste tema dentro do Fórum Social das Resistências levada pelo PROIFES dá um novo norte para futuras construções. “Daqui sai uma nova proposta de um sindicato que reconheça as necessidades do coletivo sindical com suas especificidades”, concluiu.

A roda de conversa foi transmitida na página do Facebook do PROIFES-Federação, assista aqui.

Nossa Senhora da Fome

Trinta reais, este era o preço marcado no saco de ossos exposto durante a intervenção artística  “Nossa Senhora da Fome”, feita na tarde da quarta-feira (27), no Largo Glênio Peres, em frente ao Mercado Municipal de Porto Alegre/RS. Antes descartado pelos comerciantes, hoje, no Brasil de Bolsonaro, até os ossos custam caro para a população. O estudo da Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional, realizado em 2021, aponta que já são quase 20 milhões de brasileiros e brasileiras que passam 24 horas ou mais sem ter o que comer.

Trajando um véu com as diversas mazelas que assolam o Brasil e causam a fome, como a privatização, o golpe, o agronegócio e a ganância, a imagem esquelética da Nossa Senhora da Fome segurando um bebê, chocou os transeuntes. Para contextualizar a intervenção, professores e professoras dos sindicatos federados ao PROIFES seguravam uma faixa contendo a frase: “A fome não é fake! O prato do brasileiro está vazio. Não iremos nos calar!”, além disso, foram distribuídos panfletos informativos sobre o assunto.

Idealizada pelo Grupo de Trabalho (GT) Direitos Humanos, esta é a segunda vez que a Federação realiza a performance. A primeira aconteceu durante a Semana de Direitos Humanos, no último mês de  dezembro, e percorreu as principais ruas de Brasília, Distrito Federal. Veja mais fotos da participação do PROIFES-Federação no Fórum Social das Resistências aqui.

Fonte: ADURN-Sindicato

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