Notícias PROIFES

O Paradoxo da GREVE

Da Diretoria da ADUFRGS-Sindical

Por mais de três décadas, o movimento docente se pautou por uma ação política fundamentada num modelo de organização de trabalhadores, os quais eram submetidos ao processo direto de exploração, como forma de impor uma única visão política, em que o discurso do enfrentamento contemplava o pensamento da categoria. Esta ação se dava nos marcos da luta de classe, na disputa entre o capital e o trabalho.

Foi a partir da conquista da democracia, da necessidade do seu aprofundamento e da discussão sobre o papel da educação pública neste novo cenário, que se desenvolve, e ganha corpo, uma nova forma de pensar o movimento sindical docente.

Com a fundação do Fórum de Professores das Instituições Federais de Ensino Superior (Proifes), em outubro de 2004, o movimento docente cindiu-se em duas alas, com visões e perspectivas diferenciadas, quanto às estratégias e ações políticas a serem desenvolvidas pelos professores. A abordagem sobre a temática docente passou a ser feita por dois discursos antagônicos: os que defendem a total releitura sobre a representação, substituindo velhos instrumentos pelos recursos ligados às tecnologias de informação, que amplia o espaço de interlocução com a maioria dando-lhe voz, e os que se entrincheiram nas formas tradicionais de representação e se recusam a aceitar as mudanças que ocorreram na sociedade. Persiste, entre esses últimos, o “assembleísmo militante”, como forma privilegiada de decisão, onde a representação é construída por uma minoria que, por isso, tendem a perder espaços entre os docentes. Defendem a greve como um fim e não como instrumento da luta, a ser utilizado como recurso máximo de pressão para atingir um objetivo. Vulgarizou-se a greve tornando-a um jogo de um só jogador, onde as Universidades passam a ser bônus a ser conquistados em uma demonstração pífia de “força”.

A disputa política travada entre as duas visões tem trazido reflexos cruciais para os docentes das Instituições Federais de Ensino Superior. Decisões tomadas pelo Proifes nos anos de 2007, 2011 e 2012, com a assinatura de acordos com o governo, que garantiram importantes ganhos aos professores, expressam o nosso entendimento de que as conquistas se obtêm na luta continua, articulando mobilização e negociação.

As ações do nosso Sindicato e da nossa Federação sempre se dão a partir da discussão com os professores e decididas em espaços que permitam que a maioria possa se manifestar, sem hostilização e cerceamento à livre opinião, à opinião divergente.

Temos grandes tarefas pela frente. Aprimorar nossas formas de comunicação com os filiados e os não filiados, expandir o Sindicato discutindo com os novos professores a importância da organização sindical, aprimorar os espaços de discussão com a presença da ADUFRGS-sindical nos diferentes campi da UFRGS, da UFCSPA, do IFRS Porto Alegre e Restinga.

O vitorioso movimento grevista que vivenciamos nesses últimos dias nos desafia a nos manter unidos e em prontidão. Nossa luta não se esgotou aqui. Temos que defender a criação imediata de um Grupo de Trabalho para tratar das questões indicadas no Termo de Acordo.

A Diretoria da ADUFRGS-Sindical, entidade federada e fundadora do Proifes-Federação acredita na modernização das relações com seus representados e aposta firmemente na democratização das instâncias de representação e nos fóruns deliberativos das entidades.

A construção da democracia é árdua, mas cabe àqueles que acreditam nela, insistir no seu aperfeiçoamento.

Notícias Relacionadas

Agência Proifes

Menu