AGÊNCIA PROIFES

Museu Antropológico da UFG: defesa da História do Centro-Oeste

Notícias PROIFES

Museu Antropológico da UFG: defesa da História do Centro-Oeste

No dia 2 de setembro, um incêndio destruiu quase inteiramente o Museu Nacional, no Rio de Janeiro e, com o próprio prédio histórico, um acervo de 20 milhões de itens. Após a tragédia, se especula o que pode ser feito para evitar que ela se repita em outros museus pelo Brasil. O Museu Nacional é um museu universitário, administrado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). A UFG possui um museu universitário: o Museu Antropológico, na Praça Universitária que, apesar de não ter o porte do Museu Nacional, ainda conta com um acervo de milhares de itens, muitos deles pré-históricos, sobre o povoamento do Centro-Oeste e seus movimentos de ocupação.

Desde a tragédia, o professor Manuel Lima Filho, diretor do Museu Antropológico, conta que a agenda se intensificou, embora o engajamento por parte dos professores seja de longa data, a ampla divulgação do que aconteceu no Rio de Janeiro atraiu o interesse da sociedade para as inúmeras demandas dos museus.

São questões técnicas muito específicas só que não existe uma política pública para o financiamento dos museus. Portanto, Manuel conta que é preciso depender de editais para atender a questões pontuais, geralmente perseguindo pautas mais urgentes e críticas. E são despesas caras: apenas os armários deslizantes para o armazenamento adequado desse acervo podem chegar a R$ 300 mil, então como atender a tudo isso? “O MEC não tem uma linha de financiamento dos museus universitários, para a salvaguarda do material. Nós não podemos ficar à mercê de editais. A realidade de um museu como esse é extremamente complexa. Nós fazemos pesquisa e atendemos a comunidade e ainda temos a obrigação de salvaguardar o patrimônio que não é nosso, é do povo brasileiro”, disse.

É uma rede de protocolos estabelecido internacionalmente e pelas leis no Brasil de proteção do patrimônio da museologia que coloca o Museu Antropológico nessa situação de luz amarela. Outro problema, esse permanente, é a falta de informação: as pessoas não sabem a importância do acervo, então “fica até difícil para a sociedade compreender o que tem lá”.

O Museu Antropológico tem 150 mil peças arqueológicas, 15 mil documentos e aproximadamente 6 mil artefatos da reserva de grupos indígenas do Brasil Central. “Nós vamos fazer 50 anos ano que vem e o museu tem a ver com história da própria nação, pela ocupação do Centro-Oeste, chamada Marcha para o Oeste, a construção de Brasília e a construção de Goiânia. A UFG se confunde com isso e com a própria história do Museu Antropológico”, aponta Manuel.

Funcionamento

Sobre as atuais condições do Museu Antropológico, Manuel diz que ele “funciona bem”, mas que não é “o ideal”. “Mas o mais frágil é segurança”, declara, lembrando que o museu fica em uma área muito movimentada e que é muito vulnerável. Ele conta que já atearam fogo a uma das grandes árvores do quintal pelo menos três vezes e que um dos prédios já passou por uma tentativa de arrombamento. Há o perigo para o pessoal e alunos, já que o prédio tem aulas e funciona até tarde da noite.

Ele retorna à falta de recursos dedicados aos museus, especialmente no que toca a segurança e à conservação tanto dos prédios quanto do patrimônio. “É preciso ter essa rubrica própria para as questões de emergência e salvaguarda”, martela, “é uma luta que nós vamos fazer junto ao MEC. Não podemos lamentar depois, temos que ter um sistema de segurança. O ideal seria um sistema moderno de combate a incêndio que não tem”.

Retrocesso

Porém, Manuel conta que a esperança de uma maior acessibilidade após o incêndio foi respondida com arbitrariedade. O governo federal extinguiu o Instituto Brasileiro de Museus (IBRAM) pela Medida Provisória 850. O IBRAM fora criado em 2009 e marcou a primeira vez que o país tinha um órgão voltado apenas para as pautas dos museus brasileiros e que mapeou os mais de 3700 museus. A decisão chocou os museólogos que se opõem à criação da ABRAM (Agência Brasileira de Museus) que, se propõe, deverá ficar responsável pelos 23 museus federais, sem contemplar os demais.

Na proposta fala-se muito de gestores privados, mas não fica claro como isso seria feito. “Estão querendo tirar o museu da UFRJ colocando na mão de uma OS que a gente não concorda, porque isso fere a autonomia universitária e teria um enorme efeito dominó”, argumenta Manuel, “a ABRAM tira toda a responsabilidade do poder público. E isso é um perigo, abre um precedente”.

Fonte: Ascom ADUFG

Notícias Relacionadas

Agência Proifes

Notícias Relacionadas

Agência Proifes

Menu