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Jornal do Professor ADUFG – Edward Madureira assume reitoria da UFG pela terceira vez

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Jornal do Professor ADUFG – Edward Madureira assume reitoria da UFG pela terceira vez

Em meio a uma crise política, o professor Edward Madureira Brasil assume seu terceiro mandato à frente da reitoria da Universidade Federal de Goiás (UFG). A situação será diferente dos tempos de Reuni e expansão universitária e, por isso, ele propõe uma reestruturação nas pró-reitorias. Mas garante: não serão realizados novos cortes

Jornal do Professor: Na sua gestão será criada a Pró-Reitoria de Pessoas, que será um desmembramento da Prodirh. Qual é a necessidade de criar mais uma pró-reitoria?

Edward Madureira: Na verdade não é bem um desmembramento, é uma reconfiguração. Hoje a Prodirh abrange outras áreas além da área de pessoas. O que estamos propondo é aglutinar todas as questões relativas a pessoas em uma única pró-reitoria. Primeiro, nós dedicaremos nessa pró-reitoria um setor voltado para os aposentados, passando a ter um canal mais direto de interlocução. Outra intenção é trazer para dentro dessa pró-reitoria os contratos dos terceirizados – que são pessoas que estão trabalhando dentro da UFG e sua contratação se dá pelo Cegef, por outros espaços. Uma política de pessoal que valorize, reconheça as pessoas, que pense no ambiente de trabalho e consequentemente seja um desdobramento em relação à saúde das pessoas.

JP: As principais questões dos docentes, como progressão de carreira, insalubridade e aposentadoria serão tratadas pela Pró-Reitoria de Pessoas?

Edward: Sim, sem dúvida nenhuma. A ideia é uma gestão focada nas pessoas. Nós precisamos que as pessoas […] tenham o entendimento, a percepção de que as pessoas estão aqui para fortalecer e fazer a instituição crescer. Valorizar o atendimento, valorizar as relações dentro da instituição.

JP: Em entrevista ao jornal O Popular o senhor falou sobre “integralizar uma gestão responsável e eficiente”. O que significa isso?

Edward: Isso é uma mudança de filosofia. O que a gente está propondo é: nós somos um organismo, formado por partes, e se essas partes não trabalharem de forma harmoniosa e colaborativa a instituição não avança. Precisamos criar uma cultura de entendimento de nossos papéis. E o grande papel é servir a sociedade e produzir conhecimento. […] Acho que é fundamental ter professores, funcionários, técnico-administrativos, estudantes engajados em projetos [integrados].

JP: A UFG sofreu duras críticas e passou por situações seríssimas devido à violência no campus Samambaia e em resposta criou novas propostas de segurança . O que já foi feito, o que você vai manter das propostas da gestão anterior e quais as novas ideias?

Edward: O trabalho mais demorado e mais árduo foi feito: definir uma política de segurança, aprovada no conselho universitário. O nosso compromisso é dar prosseguimento. Esta política é bastante completa. Ela tem frentes de atuação nas mais diversas áreas, desde a iluminação, podas de algumas árvores, campanhas educativas, passando por investimentos como a aquisição de câmeras, controle de acesso, até a relação com os órgãos de segurança naquilo que for pertinente. Não há que se reinventar a roda. E digo que dá para fazer muito. E, é claro, mudar a cultura dentro do campus. Medidas simples como um controle de acesso inteligente ao campus, sem afetar o cotidiano das pessoas, já vão ajudar bastante […]. Nós já iniciamos os primeiros estudos nessa direção. Criamos a Secretaria de Segurança e Direitos Humanos, que vai cuidar disso nessa reestruturação.

JP: Sobre a PM, foi proposta a criação de um ponto fixo na praça Universitária e um protocolo de atuação no campus e no entorno. Vai ser mantido? Como vai funcionar?

Edward: Não acho que o caminho seja esse. Lógico, precisamos de apoio na segurança em locais de alta vulnerabilidade, por exemplo, pontos de ônibus em determinados horários. […] É fundamental que a gente tenha segurança. Muitos dos órgãos de segurança não têm pessoal formado e preparado para lidar com o nosso público, por isso o policiamento ostensivo no campus não é uma boa medida. Nós vivemos em uma sociedade preconceituosa e precisamos cuidar do que é mais importante: a universidade é um lugar de liberdade de pensamento e de expressão, mas não pode ser confundida com um lugar permissivo, por exemplo, para o tráfico de drogas. Isso precisa ser tratado com a inteligência dos órgãos de segurança porque nós não podemos conviver com traficantes dentro da universidade, mas isto não significa policiamento ostensivo. Significa inteligência para identificar e para tirar estas pessoas daqui.

JP: Ainda sobre segurança, a UFG sofreu com a morte de um graduando de Medicina Veterinária em 2017. Em 2018 ocorreu um incêndio em um laboratório da EA. Existe alguma proposta para garantir a segurança de professores e estudantes em trabalhos de campo e laboratórios?

Edward: [A morte do estudante Lucas Mariano] Foi uma fatalidade, uma coisa extremamente lamentável. Sem dúvida houve imprudência naquele episódio. Nós temos uma universidade que é imensa e os riscos existem como em qualquer lugar […]. Entendo que precisamos definir melhor e orientar melhor as pessoas que têm essas atividades [que precisam de material de segurança]. O que temos que fazer é aprimorar nossas normas internas. Penso que com uma boa política (e aí entra de novo a área de Pessoas, de formação e orientação dos nossos profissionais) a gente consiga avançar nesta questão e esperamos que não aconteçam casos como este novamente.

JP: E quanto ao orçamento e à infraestrutura da UFG, frente ao novo regime fiscal? Como a reitoria planeja conter gastos?

Edward: Essa é uma luta que transcende a UFG. No cotidiano, buscaremos recursos de todas as formas: parcerias, colocando a nossa expertise à disposição do governo, de empresas, de organizações do terceiro setor. A universidade vai buscar os meios de reforçar o seu orçamento, além de se relacionar mais com a sociedade […]. Mas precisamos que o nosso mantenedor reconheça a importância estratégica desse sistema e do nosso papel perante a sociedade e o desenvolvimento do país, para que sejamos realmente um agente do crescimento. É preciso construir uma grande defesa das instituições públicas de ensino superior.

JP: Uma das bases da sua campanha foi trazer a população para a universidade. A curto e a longo prazo, como será feito?

Edward: Essa é uma grande tarefa que a gente encomendou para a nossa Pró-Reitoria de Extensão e Cultura. Acho que isso é muito importante: ter mais eventos culturais, mais eventos como o espaço das profissões ou, por exemplo (essa é uma proposta do professor Orlando que não chegou a ser implementada), tipo domingo no campus. Precisamos, além de atrair pessoas para a universidade, fazer o movimento daqui para fora, seja no shopping, seja na periferia, seja na assistência. Levar atividades nossas, de ciência, de extensão e culturais, para fora, para o dia-a-dia da cidade. É uma forma de dialogar com a sociedade, articulando com vários atores.

JP: O professor tem falado em criar parcerias da UFG com empresas privadas, mas sem perder a autonomia. Quão viável é isto? A UFG está pronta?

Edward: Absolutamente viável. Nós não precisamos macular a nossa independência, a nossa liberdade de pensamento. Para nos relacionarmos com empresa, nós temos regras que permitem a preservação daquilo que é mais caro pr’a gente. Sempre dou um exemplo de sucesso: hoje, 70% da área plantada com cana-de-açúcar no Brasil é feita com variedades de cana desenvolvidas em conjunto por 10 universidades federais e a propriedade intelectual de todo esse material genético que é usado nas usinas continua sendo das universidades. Eles pagam para usar a tecnologia desenvolvida pelas universidades. Então é totalmente factível uma relação produtiva entre as duas partes. O que dificulta essa relação é realmente nossa história, a falta de tradição. O empresário desconfia da universidade, achando que ela é muito lenta, e a universidade desconfia do empresário, achando que ele só quer sugar o investimento. A solução é quebrar essa cultura e isso não acontece da noite para o dia. É possível ter uma relação em que os interesses de ambas as partes sejam preservados e só temos a ganhar com isso. Temos o parque tecnológico Samambaia, que começa a voar; temos o CRTI [Centro Regional para o Desenvolvimento Tecnológico e Inovação] que já atende às principais empresas do setor mineral e boa parte das empresas do setor farmacêutico, resolvendo problemas complexos; ao lado temos o FarmaTec, projeto da Faculdade de Farmácia para o desenvolvimento de tecnologia na indústria farmacêutica.

JP: Você declarou anteriormente que a cobrança de mensalidade está fora de questão. Porém, no ano passado, o MEC afirmou e reafirmou que este é o caminho que eles planejam seguir para manter o ensino superior no Brasil. Qual é a sua estratégia para lidar com isso?

Edward: Primeiro temos que fazer um exercício de convencimento do governo, mostrar a nossa importância. Às vezes somos invisíveis para o governo, que não tem noção do que a gente alcança hoje porque temos dificuldade de mostrar o que fazemos. Partem do pressuposto de que quem estuda nas universidades são os filhos dos ricos. Uma das nossas pró-reitoras trouxe [em janeiro] um número de que praticamente 70% dos nossos estudantes hoje não conseguiriam pagar uma mensalidade por menor que seja. Temos apenas 17% dos jovens nas universidades. Se a gente pensa em ser um país desenvolvido, precisamos chegar a 50%! O nosso PNE [Plano Nacional de Ensino] fala em 33% até 2024. Para dobrarmos [o número] em seis anos só tem um jeito: ou a gente cria vaga pública ou a gente paga para essas pessoas estudarem. Nós não temos como pagar mensalidade. Temos um contingente de alunos que abandonam a UFG por não conseguirem pagar o ônibus. Somos um país de pessoas pobres que não podem pagar. Ainda precisamos pensar muito antes de cogitar cobrar uma mensalidade. Seria uma medida extremamente excludente e que vai empurrar as pessoas que podem pagar até mesmo para instituições fora do Brasil, podendo gerar uma perda de qualidade. Vamos ter que ir para esse embate com o MEC e precisamos ter respostas para todos os argumentos que eles têm no arsenal contra as universidades. Para o país crescer é preciso investir em gente, em formação, e isto está em educação de qualidade e excelência que é encontrada na universidade pública. Cobrar mensalidade é expulsar grande parte dos nossos alunos; e mesmo cobrar de uma parcela pequena vai gerar deformações na universidade, que podem nos colocar em uma situação bastante ruim.

Fonte: Jornal do Professor – Ascom ADUFG-Sindicato

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