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Investimento em pesquisa, desenvolvimento e processo de internacionalização das universidades foram os temas do segundo dia de debate

VI Reunião de Organizações Sindicais da Educação Superior da América Latina e Caribe

Os trabalhos da manhã do dia 23 de abril foram abertos pelos professores Luiz Carlos Gomide, da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e Octávio Miloni (Conadu), da Argentina.

Em sua explanação, Gomide traçou um histórico do desenvolvimento da ciência e tecnologia no Brasil, a partir da 2ª Guerra Mundial, com a criação do Conselho Nacional de Pesquisa (CNPq) e da Capes; e com a consolidação de instituições como o Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF); o Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA); o Centro Tecnológico da Aeronáutica (CTA); o Instituto de Matemática Pura e Aplicada (IMPA); a Petrobras e o Centro de Pesquisas e Desenvolvimento Leopoldo Américo Miguez de Mello (Cenpes).

A criação da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), pioneira no Brasil, também é considerada um importante acontecimento no cenário de promoção do desenvolvimento da ciência e tecnologia nacional. Embrapa e Embraer completariam o quadro, segundo Gomide, com lucros que excedem o investimento histórico.

O representante do Proifes ainda chamou atenção para o fato de que estas conquistas históricas foram construídas por múltiplos agentes como sindicatos, sociedade em geral, comunidade científica e partidos políticos. Dessa forma, o processo de desenvolvimento perpassou governos ao longo do tempo, com alguns projetos se consolidando como política de Estado e não apenas como política passageira de governo.

Gomide defendeu a incorporação, no discurso sindical, da importância da agregação de valores aos produtos produzidos no País e de que “o investimento em tecnologia é salutar e tem retorno garantido”.

Octávio Miloni falou da situação da pesquisa na Argentina, ressaltando a necessidade de se desenvolver mais projetos de Estado e menos projetos de governo. Não muito diferente da realidade do restante da América Latina e Caribe, o professor argentino relatou que, em seu País, há muitas pesquisas guiadas exclusivamente pela demanda do mercado consumidor.

Como avanços ele apontou a recuperação de empresas estratégicas; as políticas de retorno de pesquisadores que se evadiram do país devido às crises e a socialização do ensino superior com a criação de novas universidades nos rincões mais afastados. Para o representante da Conadu o grande desafio agora é colocar as novas universidades no mesmo nível de excelência acadêmica das mais antigas.

Pedro Hernández, da ASPU (Colômbia) detalhou a questão do financiamento na Colômbia, ressaltando que o investimento público e o privado tem uma relação aproximada de um por um. Segundo ele, a partir da globalização, o ensino superior seguiu uma tendência de segmentação, com uma divisão bem clara de uma minoria de universidades voltada para formação de doutores e para a pesquisa e uma maioria voltada para formação de trabalhadores. Como em toda a América Latina e Caribe, também na Colômbia os investimentos públicos são insuficientes para tornar o ensino superior acessível a todos os jovens.

Adércia Hostin, da Contee, depois de apresentar um histórico do crescimento do ensino superior no Brasil a partir da década de 90, detalhou os programas de financiamento do governo na rede privada (Fies e Prouni), para ela um investimento necessário no momento. Apesar de estar aquém do que se deseja, a professora admite que nos últimos anos houve um avanço nas políticas de investimento na educação pública superior.

À tarde falaram Yamile Sokolovsky (IEC/Conadu), Juan Arancíbia (Unam/México) e Carlo de Feo (Conadu) falaram sobre a regionalização, integração nacional e latino-americana das universidades. Yamile fez uma explanação sobre os convênios internacionais que existem hoje e que permitem uma certa mobilização de professores e estudantes; falou sobre a ferramenta da avaliação, que pode ser positiva, no sentido do estado controlar a qualidade do ensino, como pode se converter em elemento de segregação.

No final, público e mesa fizeram inúmeras colocações sobre como as organizações sindicais poderiam avançar no debate e promover de fato essa inserção no cenário internacional. Aprimorar um documento geral sobre a realidade comum das universidades e da situação laboral dos docentes na América Latina e tentar levar à discussão nos órgãos competentes.

Na noite do dia 23/04 foi aberto o Encontro de Organizações Sindicais de Educação Superior da América Latina e do Caribe, com palestra ministrada pelo reitor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Carlos Alexandre Netto. O evento segue até o final do dia de hoje (25/04).

Texto e fotos: Maricélia Pinheiro (Assessoria de Comunicação da ADUFRGS-Sindical)

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Agência Proifes

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