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Homenagem à feminista, pesquisadora e professora da UFBA, Ana Alice Alcântara Costa, falecida em 26 de dezembro de 2014

É com imenso pesar que o PROIFES comunica o falecimento da professora Ana Alice Alcântara Costa, ocorrido em 26 de dezembro próximo passado. Nascida em Caravelas (sul da Bahia), havia recentemente completado 63 anos e lutava contra um câncer de pâncreas.

Ana Alice, militante da resistência à ditadura militar, na década de 70, e, depois, participante ativa da construção do movimento docente, sempre se alinhou com os que se opunham ao aparelhamento de entidades sindicais de professores por partidos políticos. Foi apoiadora de longa data do PROIFES, sendo a proponente das mudanças que vieram a ser aprovadas e introduzidas no Estatuto da Federação, com o objetivo de corrigir sua redação, no que concerne a questões de gênero.

Após ter se formado em Ciências Sociais pela UFBA, em 1975, Ana Alice fez mestrado e doutorado (1981 e 1996, respectivamente) em sociologia na Universidad Nacional Autónoma de México. Nessa época, ingressou no Movimiento de Liberación de las Mujeres. De volta ao Brasil, vinculou-se ao Grupo Feminista Brasil Mulher, primeiro grupo de gênero na Bahia. Em 1982, entrou na UFBA como professora do Departamento de Ciência Política. Junto com Cecília Sardenberg e outras colegas, criou no ano seguinte o Núcleo de Estudos Interdisciplinares (Neim).

A luta em defesa da igualdade de gênero marcou sua trajetória, dentro e fora da universidade. Um exemplo disso é o livro “As donas no poder: mulher e política na Bahia”, que se tornou referência para o estudo do tema. Sua dedicação à causa gerou novos frutos dentro da UFBA, depois do Neim: em 2005, nasceu o primeiro programa de pós-graduação em Estudos Interdisciplinares sobre Mulheres, Gênero e Feminismo. Em março de 2012, em decorrência de seu trabalho na área, Ana Alice recebeu do Senado Federal o prêmio Bertha Lutz, por suas contribuições em prol dos direitos das mulheres.

Foram intensas as manifestações de luto e de reconhecimento publicadas por entidades e personalidades, nos últimos dias.

A ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República, Eleonora Menicucci, disse em nota: “É com tristeza e pesar que a SPM informa que encerra o ano de 2014 em luto pela morte da feminista e acadêmica Ana Alice Alcântara Costa. Como amiga e companheira de décadas de Ana Alice, transmito à sua filha Clarissa, ao filho Wladimir, à sua mãe e aos demais familiares meu carinhoso abraço cheio de saudade. As brasileiras perdem uma grande lutadora, a SPM, uma grande parceira e eu, uma grande amiga. Mas seu legado ficará para todas as gerações”.

Já a ex-vereadora Olívia Santana, que irá assumir a Secretaria Estadual de Política para as Mulheres (SPM), destacou a influência da socióloga: “A Bahia acaba de perder uma das suas grandes mulheres, a feminista Ana Alice Costa, fundadora do Neim. O trabalho que vamos realizar na SPM, com certeza, terá muito a ver com as contribuições dadas por ela para o avanço da luta em defesa dos direitos da mulher”.

O governador eleito da Bahia, Rui Costa, também divulgou nota de pesar.

O reitor da Universidade Federal da Bahia (UFBA), João Carlos Salles, que esteve na cerimônia de cremação, falou da importância de Ana Alice para a academia e para o debate de gênero dentro e fora da universidade. “Foi uma pessoa de dedicação imensa à universidade e na luta contra a discriminação de gêneros. O papel dela na Faculdade de Filosofia e em toda UFBA foi de grande importância. Ana Alice não só fortaleceu o estudo de gêneros, como levou essa discussão para o mestrado e doutorado. Todo esse trabalho está associado ao nome dela. Todos estão muito emocionados”, disse o reitor, referindo-se aos amigos e colegas acadêmicos da feminista.

O Sindicato dos Professores das Instituições Federais do Ensino Superior da Bahia (APUB) também lamentou a morte de Ana Alice. Em nota, o órgão afirmou: “consternada, a APUB se solidariza com familiares e amigos neste momento de dor”. 

O PROIFES vem prestar aqui mais uma homenagem a Ana Alice, que sempre lutou por uma representação plural, igualitária e democrática dos docentes das IFES. Todos os que tiveram a honra de conhecer e conviver com ela sabem da sua extraordinária dimensão humana e da imensa lacuna que deixa.

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Agência Proifes

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