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Entidades debatem a crise política no Brasil

Fonte – Adufg Sindicato

imagem atualA Adufg Sindicato, o SINTIFESgo e a APG realizaram, nesta terça-feira (29/03), o debate “A crise política no Brasil e suas consequências”. O evento foi realizado no auditório do Instituto de Química da Universidade Federal de Goiás (UFG) e reuniu diversas entidades do movimento social e a comunidade acadêmica em geral. O presidente da Adufg Sindicato, Flávio Alves da Silva, ao abrir a mesa, disse que “o cenário político no Brasil está nebuloso, desde a eleição passada. E o processo democrático não vem sendo respeitado.”

O debate contou com a participação dos cientistas políticos Pedro Célio Alves Borges e Francisco Tavares, ambos Doutores e Professores da Faculdade de Ciências Sociais da UFG, do advogado Bruno Pena, especialista em Direito Público e Gestão Pública e Presidente da Comissão de Direitos e Prerrogativas da OAB-GO, e do Reitor da UFG, Prof. Orlando Amaral.

O professor Francisco Tavares abriu a discussão afirmando que crise no Brasil possui um caráter internacional e foi resultado da ilusão de que era possível fazer um casamento entre capitalismo e democracia. Ressaltou ainda que o PT ajudou a gestar essa crise, alimentado uma baixa politização da sociedade. Por fim disse que, mesmo com as dificuldades apresentadas, o impeachment, impulsionado pela direita, é um golpe de estado.

Em seguida, o advogado Bruno Pena levantou que, com as arbitrariedades da operação Lava Jato e do Juiz Sérgio Moro, os direitos e garantias fundamentais estão sendo mitigados, ameaçando a segurança jurídica do país. “É uma luta contra a corrupção dos outros”, alertou. Disse ainda que não se pode combater a corrupção no vale tudo.

O professor Pedro Célio apontou que a crise é fruto do rompimento da base social e de isolamento político do PT. “O discurso de campanha da Dilma e o que foi praticado depois de eleita foi o começo do fim do governo”, asseverou.  De acordo com ele, esse quadro pode resultar em um golpe branco, dentro das regras da Constituição Federal.

Já o Reitor da UFG, Orlando Amaral, apresentou a nota da Associação Nacional dos Dirigentes de Instituições Federais de Ensino Superior (ANDIFES), que se posicionou contra a tentativa de impeachment. Em seguida, falou dos avanços e da grande expansão das universidades federais que aconteceram durante os governos de Lula e Dilma e alertou que o programa proposto por Michel Temer prevê vários retrocessos no ensino superior, abrindo, inclusive, a possibilidade de acabar com a gratuidade das Instituições Federais de Ensino Superior.

“O documento fala discretamente sobre cobrança de mensalidade nas universidades públicas. Esse é um tema recorrente. Essa perspectiva, não tenhamos dúvida, virá em um novo governo”, disse Orlando. O crescimento da UFG, que saiu de 13 mil para 25 mil alunos desde 2007, foi destacado como avanço dos governos de Lula e Dilma pelo reitor.

“Na década de 1990 e começo dos anos 2000 nós passamos a pão e água”, critica. “Não tínhamos a menor perspectiva de crescimento e interiorização. Isso só aconteceu nos governos Lula e Dilma. Então, qualquer possível mudança de governo nos traz enormes preocupações”.

“Na época dos governos do PSDB, havia algumas universidades de excelência, como em São Paulo e Rio de Janeiro. Essas universidades tinham aporte para grandes pesquisas. Outras universidades, como a UFG, por exemplo, que àquela época era pequena, eram provedoras de mão de obra qualificada para essas grandes universidades que faziam as pesquisas no país”, analisou o reitor com preocupação.

(Com informações do SINTIFESgo)

Fotos: Fábio Alves (Ascom Adufg Sindicato)

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Agência Proifes

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