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Discussão sobre o movimento sindical fecha o 1º Encontro de Docentes da UFRN

Definido pelo professor Eduardo Rolim, diretor do PROIFES-Federação, como um tema complexo, a organização do movimento sindical e a expansão da Federação, foi a pauta da última mesa de discussão do 1º Encontro de Docentes da UFRN. O debate, coordenado pela diretora do ADURN-Sindicato, Ruthineia Diógenes, aconteceu na noite da última quarta-feira (30) e contou ainda com a participação do presidente do sindicato, Wellington Duarte.

“Pensar os desafios de uma organização sindical inovadora, como é o PROIFES, nessa conjuntura que nós estamos vivendo é algo muito complicado”, foi com essa fala que o professor Eduardo Rolim deu início a sua exposição, fazendo uma breve contextualização do momento que o movimento sindical está atravessando no Brasil.

“Esse movimento sindical nos dias de hoje; no dia da crise econômica que destruiu, em função da reforma trabalhista; do fim do imposto sindical; as grandes centrais sindicais desse país, que hoje tem uma enorme dificuldade de organização; isso não é de graça, isso foi concebido dentro de uma visão estratégica de sociedade, de acabar com a resistência dos trabalhadores. Então pensar os desafios da classe trabalhadora e os desafios dos professores das universidades federais nesse contexto foi uma dificuldade bastante grande”, explicou Rolim.

Para Eduardo Rolim, o PROIFES precisa se reinventar, pois o mundo está se reinventando. “O próprio fato de fazer o Encontro Nacional de forma virtual, é uma forma de reinvenção”, disse. Apesar de a Federação estar se adaptando à realidade, Wellington pontua que isso não aconteceu com boa parte das organizações sindicais: “os sindicatos demoraram para sentir as profundas transformações que estavam acontecendo no mundo. E muitos desses sindicatos, inclusive do setor privado, foram pegos despreparados para o embate”, disse. Ele considera que sobretudo, “modernizar é conhecer quem o sindicato efetivamente representa e quem o sustenta”.

Nesse sentido, reinventar as formas de chegar nos professores mais jovens, foi um outro ponto levantado. Eduardo Rolim acredita que um grande desafio é chegar nas pessoas que de certa maneira tem na política alguma coisa que lhes deu ojeriza.  “Como a maior parte da nossa base hoje são pessoas jovens, a gente tem que pensar muito claramente como falar com eles”, explicou.

Wellington Duarte compactua com a ideia de Rolim e pontuou que realmente o movimento sindical está sendo provocado. “Quando a gente conversa sobre essa questão sindical geralmente o professor ele se torna mais arredio, ele não participa tanto quanto a gente queria que ele participasse, ele fica distante porque nós ainda carregamos o fardo de termos construído no movimento sindical, de uma forma geral, determinadas características que no mundo acadêmico, quer gostemos ou não, não se enquadram. Então nós devemos começar pelo reconhecimento das nossas dificuldades, a partir de nós mesmos”, disse.

Apesar da necessidade de reinvenção, Rolim considera que esse não é o grande desafio do momento. Para ele o maior desafio é a defesa da Democracia. “Quais são os parceiros políticos que nós temos que ter para defender essa Democracia? Será que somente aquela aliança histórica que nós temos com partidos políticos e correntes sindicais é possível para dar conta da defesa da Democracia, ou será que nós precisamos ampliar esse leque de alianças em direção a um outro grupo político, que historicamente não é o grupo político com o qual a gente necessariamente trabalha, mas que é um grupo político que sim defende a Democracia, que sim acredita que o pacto da Constituição de 1988 é um pacto que ainda vale e deve ser defendido”, provocou Eduardo.

Rolim também trouxe uma reflexão sobre que tipo de sindicato é preciso ter no mundo contemporâneo. Para ele, o sindicato precisa estar em defesa da vida. “Isso não quer dizer apenas um sindicato que se coloca contra a gente voltar para as aulas, não tem nada a ver com isso. É um sindicato que pensa que a situação tem que ser muito além de simplesmente lutar pelo melhor salário, por melhores condições de trabalho, por uma carreira decente, ele tem que ser um sindicato que seja capaz de oferecer serviço, que seja capaz de discutir com os trabalhadores que forma que eles têm de se auto sustentar de uma maneira melhor nesse mundo capitalista selvagem, que nós estamos vivendo”, disse Eduardo Rolim.

O pensamento de Rolim se alinha com a ideia apresentada por Wellington Duarte, no sentido de que existe uma necessidade de o sindicato identificar o professor no âmbito da sua individualidade e não apenas como sujeito coletivo, a partir de suas demandas. “O sindicato precisa absorver esse posicionamento, essa percepção individual dos professores. Hoje em dia está consumada essa individualidade entre nós e os professores não são diferentes. Eles estão mais individualistas, são mais consumistas, têm mais preocupações com suas tarefas imediatas, não há uma empatia no professor, por isso que o sindicato precisa favorecer um ambiente em que se dê essa empatia”, afirmou Duarte ressaltando que isso não significa que os sindicatos devem perder a sua perspectiva tradicional.

“O sindicato deve buscar o professor onde ele estiver. Primeiro pela via acadêmica, o sindicato deve se inserir definitivamente nos debates que ocorrem dentro do seu espaço de atuação. (…) Segundo, pela via culutral. Lutar pela cultura e arte deve ser uma ação que visibilize o sindicato, e ela é uma ação fundamental, pois ultrapassa os muros da sua própria existência enquanto sindicato (…) e em terceiro pela comunicação”, disse o presidente do ADURN-Sindicato.

Para além dessas questões, Rolim ainda afirmou que, “a ideia de construção do novo modelo de organização de financiamento sindical, do novo modelo de sustentabilidade das receitas financeiras das pessoas, com cooperativas de crédito, cooperativas de serviços, compras coletivas, essa é uma discussão que o sindicato não pode mais fugir e ela deve ser também colocada na ordem do dia da ação sindical”. Aliado a isso, Eduardo Rolim considera que os sindicatos precisam construir melhor maneira de atender os seus sindicalizados, com uma gestão profissional, que invista na tecnologia para melhor gerir os recursos, fugindo do modelo de financiamento através da consignação em que o governo pode retirar a qualquer momento.

Expansão

Sobre a expansão do PROIFES-Federação, Eduardo Rolim destacou a necessidade de chegar aos lugares onde as pessoas não tem um sindicato que pense de uma maneira semelhante ao pensamento da Federação, pessoas que ainda estão envolvidas em outros tipos de experiência sindical, que na visão do dirigente estão completamente fora do tempo em que vivemos.

“Ter uma política para apoio aos sindicatos pequenos, para apoio de alternativas de organização sindical, como é o caso do SindProifes – um sindicato de base interestadual, como é o caso dos pequenos sindicatos, como é o caso de fomentar novas ideias sindicais em lugares que não tem o nosso sindicato próximo de nós”, explicou Rolim.

Encontro Nacional do PROIFES-Federação

Ao encerrar o Encontro de Docentes, o presidente do ADURN-Sindicato, Wellington Duarte, fez um convite aos professores da UFRN para participar do XVI Encontro Nacional do PROIFES-Federação, marcado para acontecer de forma virtual entre os dias 4 e 7 de novembro. Na oportunidade serão apresentadas propostas a partir do que foi discutido durante os três dias em que o 1º Encontro de Docentes da UFRN foi realizado.

As datas para as eleições de delegados ao Encontro Nacional serão divulgadas em breve. Continue acompanhando as nossas redes para saber como participar.

Todos as apresentações do 1º Encontro de Docentes da UFRN estão disponíveis no canal do Youtube do ADURN-Sinidcato. Acesse a playlist completa aqui.

Fonte: Ascom ADURN-Sindicato

 

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Agência Proifes

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