Notícias PROIFES

Debate sobre a participação feminina em cargos de liderança e atrações culturais marcam Dia Internacional da Mulher

“Se nós quisermos mudarmos a forma como a sociedade nos enxerga, precisamos lutar por espaços de poder.” A declaração é da diretora da Escola de Veterinária e Zootecnia da Universidade Federal de Goiás (EVZ/UFG), Maria Clorinda Soares Fioravanti. A docente participou da live promovida, nesta segunda-feira (08/03), pelo Sindicato dos Docentes das Universidades Federais de Goiás (Adufg-Sindicato) em comemoração ao Dia Internacional da Mulher. A primeira diretora mulher em 120 anos de história da Faculdade de Direito, Bartira Macedo de Miranda; a vice-reitora da UFG, Sandramara Matias Chaves; a reitora da Universidade Federal de Catalão (UFCAT), Rosemal Lucchese completaram o time do debate sobre a liderança feminina, mediado pela pró-reitora de Assuntos Estudantis da Universidade Federal de Jataí (UFJ), Luciana Elias.

A vice-reitora da UFG iniciou a discussão apresentando dados relevantes de servidores da instituição. Segundo ela, a universidade se configura atualmente com 1.013 professoras e 1.286 técnicas em seu quadro. Fora isso, pelo menos 11 mil estudantes da graduação são do sexo feminino. “Nós temos muitas mulheres ocupando cargos de coordenação de cursos, liderando pesquisas, na extensão. Mas, isso ainda é pouco. Precisamos ampliar a participação das mulheres na gestão da universidade”, pontuou Sandramara.

Pesquisadora sobre saúde mental, a reitora da UFCAT, Roselma Lucchese, acrescentou ao debate a discriminação que as mulheres sofrem no mercado de trabalho quando adoecem, sobretudo quando são acometidas por algum transtorno psiquiátrico, como a depressão e a ansiedade. “Ao longo da minha vida profissional, eu presenciei muita discriminação relacionada às doenças mentais. Muitas vezes a mulher que adoece é vista como “preguiçosa” ou “fresca”. Hoje eu vejo a universidade como um espaço para reflexão também nesse sentido”, ponderou Roselma.

Pioneirismo
Primeira mulher das ciências agrárias a assumir um cargo de direção, Maria Clorinda apresentou um panorama histórico de graduandos da EVZ. Na década de 1970, 100% dos alunos que concluíram o curso eram homens. Dez anos mais tarde, em 1980 este número caiu para 90%. Em 1990, as mulheres já representavam 32% dos formandos. Nos anos 2000, houve a quase paridade dos números com 48,5% de alunos do sexo masculino concluindo o curso. Já em 2010, as mulheres se consagraram maioria com 58% de representatividade. Atualmente, este percentual é de 70% de estudantes mulheres na veterinária e 59% na zootecnia. “Essa trajetória mostra como nós mulheres estamos nos fortalecendo nos meios rurais. Apesar disso, ainda somos muito bem aceitas quando escolhemos carreiras que lidem com animais de pequeno porte, como os pets. No entanto, quando falamos da buiatria, um campo que trabalha com a produção e manejo de animais ruminantes, ainda temos um cenários bem masculino. Provavelmente é uma das áreas em que a diferença salarial entre os homens e mulheres é maior”, explicou a docente.

A história da Faculdade de Direito tem suas raízes ainda no século XIX. Como uma das primeiras a serem implantadas no País, foi precedida apenas pelas Faculdades de Recife, São Paulo, Salvador, Rio de Janeiro e Ouro Preto. Mesmo com tanta história, somente em 2017 a unidade entregou a gestão para uma mulher. Bartira que ocupa o cargo desde esta época, critica o comportamento da sociedade quando há uma mulher na direção. “Há um certo estranhamento nessa relação de chefia quando o cargo é presidido por nós. Esperam que a mulher seja aquela pessoa que resolve o problema de todo mundo, uma mãezona mesmo. Mas no ambiente de trabalho, as relações são diferentes, não podemos ser uma mãezona. É muito comum encontrar no trabalho homens que não aprenderam a serem adultos, e não podemos assumir essa responsabilidade.”

Ao final do debate, o presidente do Adufg-Sindicato, professor Flávio Alves da Silva, falou da importância do Dia Internacional da Mulher não como uma dia para comemorações, mas para reforçar a luta das mulheres pela igualdade de gênero, contra a violência. “Infelizmente, no Brasil, ainda é muito difícil para a mulher ter o seus direitos assegurados. O País ficou de fora da declaração conjunta formada por mais de 50 nações para marcar o Dia Internacional da Mulher pela Organização das Nações Unidas. E a crise provocada pela pandemia deve aumentar ainda mais as desigualdades. Quero reafirmar o compromisso do Adufg com as mulheres, a luta de vocês também é nossa”, finalizou o presidente.

Entretenimento
Para encerrar as comemorações do Dia Internacional da Mulher, o Adufg-Sindicato promoveu, ainda, sorteios de diversos brindes e apresentações musicais com a participação do Coral Vozes Adufg e da cantora Bebel Roriz. Esta etapa do evento virtual foi comandada pela diretora de Convênios e de Assuntos Jurídicos da entidade, Ana Christina Kratz.

Se você perdeu o evento, a gravação ainda está disponível no Adufg TV, o canal no Youtube do Sindicato.

Fonte: Ascom ADUFG-Sindicato

Notícias Relacionadas

Agência Proifes

Menu