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Cientistas argentinos publicam carta ao presidente Mauricio Macri contra a destruição do sistema científico do país

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Cientistas argentinos publicam carta ao presidente Mauricio Macri contra a destruição do sistema científico do país

O Conselho Nacional de Pesquisa da Argentina (CONICET) divulgou uma carta endereçada ao presidente Mauricio Macri e todas as autoridades da ciência e tecnologia do país denunciando o estado de crise em que a ciência argentina está imersa. O documento, em inglês, foi compartilhado com toda a comunidade científica internacional, com intenção de angariar o máximo de apoio ao alerta. A Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) se solidariza com a crise na CT&I argentina e apoia integralmente a manifestação.

Na mensagem encaminhada, além da carta, os cientistas divulgam também um endereço de e-mail ([email protected]) para quem desejar manifestar seu apoio e assinar o documento.

Leia abaixo a carta na íntegra:

Ao presidente da Argentina, Mauricio Macri, e às autoridades Argentinas de Ciência e Tecnologia

Após 12 anos de crescimento e expansão contínuos (2003-2015), o sistema de ciência e tecnologia da Argentina está em colapso devido a cortes orçamentários, reduções de pessoal, quebra de compromissos assumidos com bolsas de pesquisa, cooperação internacional e restrições sérias impostas pelo atual governo. Essas políticas, que incluem o abandono dos tão necessários planos de melhoria de infraestrutura e novas construções, afetam não apenas o Conselho Nacional de Pesquisa (CONICET) e a Agência Nacional para a Promoção da Ciência e Tecnologia (ANPCYT), mas também as universidades nacionais.

O CONICET está à beira da paralisia. A sobrevivência deste organismo, fundado há meio século pelo prêmio Nobel Bernardo Houssay e que emprega dez mil pesquisadores, um número semelhante de doutorandos e pós-doutorandos e quase três mil técnicos, está em grande risco.

Os escassos orçamentos recebidos pelos mais de 250 institutos de pesquisa distribuídos por todo o país agora são insuficientes para pagar as contas de serviços, garantir a limpeza e a segurança das instalações ou para reparar e manter equipamentos científicos básicos.

Também deve ser notado que a desvalorização de mais de quatro vezes da moeda argentina (de 9 pesos por US$ em dezembro de 2015 para perto de 40 pesos hoje) prejudicou enormemente o poder de compra das bolsas de pesquisa, determinadas em pesos, que afeta dramaticamente grupos experimentais e de pesquisa de campo nos quais os reagentes e equipamentos importados são cruciais.

Em apenas dois anos do novo governo, os salários dos pesquisadores tornaram-se os mais baixos da região geográfica. Com estipêndios mensais abaixo de 24 mil pesos para bolsistas de pós-doutorado (US$ 600), salários pouco superiores para jovens pesquisadores e com uma escala desierarquizada para pesquisadores mais experientes, prevê-se um novo êxodo de cientistas altamente treinados. Isso também é estimulado pela redução acentuada no número anual de vagas disponíveis no CONICET para novos jovens pesquisadores, que em 2016 caíram abruptamente de 900 para 450.

Para completar esse panorama sombrio, o Ministério da Ciência foi recentemente rebaixado a secretaria do Ministério da Educação. Essa decisão política, com uma grande carga simbólica negativa, revela quão pouco o governo atual se preocupa com ciência e tecnologia.

Os cientistas argentinos levantam uma bandeira em defesa da ciência e tecnologia no país. A redução do orçamento para o setor, impulsionada pelas políticas de ajuste impostas por um recente acordo entre seu governo e o Fundo Monetário Internacional, marcará mais retrocessos que terão um impacto direto na sociedade.

Instamos o governo da Argentina a reverter essas políticas para preservar um sistema científico e tecnológico que é líder na América Latina e evitar um êxodo iminente de cientistas. Parece óbvio explicar a importância da pesquisa científica e tecnológica para qualquer país e como a dependência tecnológica produz dependência econômica, política e cultural. O Estado é a força motriz necessária para apoiar e desenvolver projetos públicos de larga escala destinados a resolver necessidades estratégicas, sociais e econômicas.

Se medidas urgentes não forem tomadas, a deterioração causará a dissolução de grupos de pesquisa, a paralisia de instrumentos muito valiosos e o êxodo de cientistas, dilapidando, assim, o investimento que a Argentina fez por muitos anos.

Confira o documento original aqui.

Fonte: Jornal da Ciência – SBPC

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