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Campanha ‘Unamo-nos pela Educação Pública’ realiza eventos em Buenos Aires

A Campanha Unamo-nos pela Educação Pública, lançada há um ano e promovida pela Internacional de Educação e suas entidades filiadas, dentre elas o PROIFES-Federação, realizou inúmeras ações, em âmbito internacional, no sentido de fortalecer a luta por uma educação pública de qualidade.

A Campanha promoveu ações em diversos locais, como Sidney (Austrália), Nova Deli (Índia), Pretória (África do Sul), Bruxelas (Bélgica), Porto Príncipe (Haiti) e Nova Iorque (Estados Unidos) e teve como meta sensibilizar governos e organismos não governamentais, nacionais e internacionais, bem como representações comunitárias, instituições financeiras e o público em geral em relação à educação, em especial no que se refere a três pilares: o ensino de qualidade – professores como o mais importante recurso educativo e fator determinante da qualidade; as ferramentas da qualidade – todas as tecnologias modernas para assistir e apoiar o ensino e a aprendizagem; e ambientes de qualidade – medidas adequadas para promover o ensino dos estudantes e permitir que os professores deem aula de forma eficiente.

Os eventos realizados no dia 23 de setembro de 2014 em Buenos Aires fizeram parte da etapa de encerramento da Campanha e foram organizados pela CTERA (Confederación de Trabajadores de Educación de Argentina), pela CONADU (Federación Nacional de Docentes Universitários) e pela CEA (Confederación de Educadores Argentinos) e incluíram manifestação de rua, reunião no Palácio do Governo e na Câmara de Deputados da Argentina, além de fórum com o sociólogo brasileiro Emir Sader, dando visibilidade a uma série de demandas e documentos com reivindicações do setor educacional, a serem inclusive entregues às Nações Unidas.

O PROIFES esteve representado por seu diretor de assuntos internacionais, professor Gil Vicente Reis de Figueiredo; fizeram-se presentes também a CNTE (Brasil) e organizações sindicais de docentes do Chile, da Costa Rica, do Uruguai, do Paraguai, da Colômbia e da República Dominicana.

Na reunião no Palácio do Governo as entidades foram recebidas por Jorge Capitanich, Chefe de Gabinete de Ministros da Argentina, que, após pedir desculpa pela ausência da Presidente Cristina Kirchner, explicando que estava participando de eventos na ONU, fez aos presentes uma exposição sobre a educação no país e sobre as principais metas de Governo. “São 840 mil docentes e 13 milhões de alunos e temos como meta fazer chegar a eles 4,8 milhões de ‘netbooks’; iremos ampliar a destinação do PIB à educação dos atuais 6,47% para 8% e já temos hoje uma aplicação de 0,7% do PIB em Ciência e Tecnologia”, disse ele. “Fizemos um grande esforço pela inclusão, nos últimos anos. Hoje são 13 anos obrigatórios (5 aos 17anos) e a meta de governo é chegar à universalização para a faixa de 4 a 17 anos – 14 anos obrigatórios, portanto. Hoje há cobertura de 83% na educação secundária. Há 2 milhões de estudantes universitários e 48 universidades públicas, 9 das quais criadas nos últimos 11 anos. Há vários programas de educação em andamento. Um deles é relacionado a jovens e adultos que não completaram sua escolarização na idade adequada. A meta é chegar a 4 milhões de alunos nesse programa, com destinação de 0,55% do PIB”, completou o Chefe de Ministros, que terminou seu discurso citando números relativos à imensa desigualdade que prevalece no mundo e mostrando que parcela significativa da população do planeta carece de serviços básicos, como água, eletricidade e saneamento, enquanto que uma pequeníssima minoria detém a maior parte das riquezas. “Enquanto isso não for resolvido, não haverá justiça. E a educação é um instrumento básico para superar essa situação”.

Fred Van Leeuwen, Secretário Geral da Internacional da Educação, falando aos presentes no Palácio de Governo, disse que a IE vem se preocupando cada vez mais com a progressiva redução do espaço profissional dos professores na maioria dos países, e afirmou: “Em muitos países a educação não está entre as prioridades de Governo. Defende-se que a esfera privada pode cuidar da educação e que o fará com maior eficácia do que o setor público. Já nós, da IE, ao contrário, acreditamos que o Estado precisa investir em educação e defendemos a aprovação de leis que, nos diversos países, possam garantir o aporte, para essa área, de percentuais do PIB capazes de garantir uma educação de qualidade e inclusiva. Somos contra os ‘Fundos Abutres’ que, ao buscar promover uma sobre exploração de países endividados, acabam por impactar negativamente suas possibilidades de desenvolvimento social. E somos contra a mercantilização da educação, que deve ser um direito de todos e não mera mercadoria”. O dirigente mencionou ainda que a ONU, abandonando postura refratária anterior – como fruto de pressão internacional, inclusive da própria IE –, aceitou criar um Grupo de Trabalho que acolhe os princípios enunciados pela Campanha ‘Unamo-nos pela Educação’. O Secretário informou que a IE tem cerca de 30 milhões de associados, que equivalem a perto de 80% dos educadores e educadoras do mundo, tendo 400 organizações filiadas em 171 países.

A seguir o grupo dirigiu-se à Câmara dos Deputados da Argentina, sendo recebido por diversos parlamentares, dentre eles Norma Abdala de Matarazzo, 1ª Vice Presidente da Câmara, Adriana Puigróss e outros. Adriana afirmou em seu discurso de abertura que só as firmes lutas dos anos 80 e 90 impediram naquela época, na Argentina, o aprofundamento das políticas neoliberais na área da educação, como aconteceu em outros países. Pedro Sanloretti, Secretário Geral da CONADU, se referiu em sua fala aos avanços alcançados na Argentina em anos recentes, “como consequência da implantação de políticas de Estado e de leis sancionadas por esta Casa”. Defendeu ainda que a Educação Superior passe a ser também considerada como direito; que a Negociação Coletiva seja incorporada em lei, tornando-a obrigatória; e que seja promulgada Lei de Educação Superior específica, respeitando os princípios que vêm sendo defendidos pela CONADU. Fabián Felman, Secretário Geral da CEA, lembrou que o NÃO à ALCA foi fundamental para dificultar a ação predatória de grupos econômicos privados de educação na América Latina e na Argentina em particular. Norma Abdala encerrou o evento, agradecendo a presença de todos e reafirmando o compromisso da Câmara de Deputados da Argentina com a luta por uma educação de qualidade e acessível a todos.

Confira fotos do evento em: http://www.ei-ie-al.org/

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Agência Proifes

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