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Ato Nacional em Defesa das Universidades e Institutos Federais mobiliza comunidade universitária no campus central da UFRGS

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Ato Nacional em Defesa das Universidades e Institutos Federais mobiliza comunidade universitária no campus central da UFRGS

Neste 31 de março, data simbólica marcada pelo golpe militar de 1964, professores, estudantes e servidores clamaram por democracia e autonomia universitária durante Ato Nacional em defesa das Universidades Públicas e Institutos Federais, realizado na manhã de hoje, no campus central da UFRGS.

O evento foi promovido pelo PROIFES-Federação e sindicatos federados, entre eles, a ADUFRGS-Sindical. As manifestações acontecem em todo o País com o objetivo de defender as instituições federais de ensino superior, que sofrem os impactos na política negacionista do governo federal, que corta o orçamento da educação e inviabiliza a ciência.

Em Porto Alegre, a programação do ato nacional iniciou com a mesa “Mulheres e sindicalismo na contemporaneidade”, no auditório da Faculdade de Educação da UFRGS. Participaram do painel, as professoras Sônia Mara Ogiba, diretora de Comunicação da ADUFRGS-Sindical, Graciela Quijano, do Conselho de Representantes do sindicato, Margot Andras, diretora do Sinpro, Helenir Schürer, presidenta do CPERS, e Camila Zanini, presidenta da Atens UFRGS – Seção Sindical do Sindicato Nacional dos Técnicos de Nível Superior das Instituições Federais de Ensino Superior (Atens Sindicato).

De acordo com a professora Sônia, mediadora do painel, as manifestações de 31 de março são significativas para o movimento sindical da área da educação. “Foi uma grande satisfação encerrar o Mês da Mulher na ADUFRGS-Sindical com a mesa Mulheres e sindicalismo na contemporaneidade, que reuniu lideranças sindicais e estudantis, no auditório da FACED. Após o debate, intensificaremos a luta em defesa das universidades públicas e institutos federais em um ato no pátio no campus central da UFRGS. O dia 31 de março é muito simbólico para nós, pois lembra o golpe de 1964, mas estamos em 2022, tentando reestabelecer a democracia no País”, destacou.

Como representante do Conselho de Representantes, a professora Graciela Trajano, trouxe a experiência do movimento de mulheres sindicalistas na Argentina. Ela lembrou de situações enfrentadas pela ex-presidente Cristina Kirchner em relação ao preconceito contra as mulheres no poder.

A presidenta do CPERS, Helenir Schürer, destacou que no seu sindicato 90% são mulheres. “Lá nós respeitamos os 30% para homens, pois somos maioria”, brincou. Ela falou ainda sobre a valorização da categoria de professoras. “O caráter missionário faz achar o seguinte, “quem tem missão não precisa receber salário”, comentou. A sindicalista lembrou a terminologia “tia”, usada como forma de desprofissionalizar a carreira das professoras.

Margot Andras, diretora do Sinpro-RS, salientou que embora o número de mulheres professoras seja maior, os homens ainda são maioria nos cargos de direção. Ela alertou que a representatividade feminina ainda é baixa no Congresso. “Temos, por exemplo, uma ministra que não nos representa. Precisamos defender as pautas das mulheres como políticas públicas e qualidade de vida. Por isso é importante ocupar espaços nos sindicatos, no parlamento. É importante que as jovens tirem o título de eleitor e votem”, afirmou.

A presidenta da Atens, Camila Zainini, afirmou que embora esteja há pouco tempo no sindicalismo e que a entidade seja recente, todos os dias cada mulher enfrenta dificuldades. “Precisamos mudar essa realidade aumentando a participação e ocupação das mulheres em todos os espaços”, frisou.

A diretora da UEE, Lara Luisa, lembrou a presença feminina na Faculdade de Educação. “Foram as mulheres, em especial as mulheres negras, as mais afetadas pelo contexto da pandemia”, refletiu.

Em defesa da educação pública

Logo após o painel das mulheres, no pátio do campus central da UFRGS, ocorreu o Ato Nacional em Defesa das Universidades Públicas e Institutos Federais que mobilizou lideranças da ADUFRGS-Sindical, União Estadual dos Estudantes (UEEE), Atens UFRGS, CPERS, Sinpro, entre outras entidades parceiras, professores e estudantes.

O presidente da ADUFRGS-Sindical, Lúcio Vieira, fez um alerta à população sobre a importância de defender a educação pública e a necessidade de mudança no cenário político do País. “A população precisa ter a consciência que não basta apenas retirar Jair Bolsonaro do governo federal é preciso derrotar seus aliados. Não devemos deixar que esse grupo que representa o movimento bolsonarista se perpetue no poder. Neste ano, temos um desafio gigantesco, além de defender a universidade pública e os institutos federais, nós temos que defender a democracia neste país. Nas eleições de outubro deste ano, teremos a chance de escolher aquele que será capaz de unir as forças democráticas do Brasil e derrotar os bolsonaristas”, advertiu. “Este ato de 31 de março marca a retomada de nossas lutas depois da pandemia. Nesta data, em 1964, o Brasil foi tomado pelas forças mais retrógradas que atrasaram a construção de um país livre e soberano. Ditadura nunca mais! Esse ato marca a defesa da democracia, da soberania nacional, das universidades e dos institutos federais”, ressaltou.

Para o diretor de Assuntos Sindicais, Jairo Bolter, “o ato foi extremamente importante para a vida das instituições, que enfrentam dificuldades financeiras e se preparam para o retorno às atividades presenciais. “O governo tem feito intervenções nas universidades, fazendo indicações de reitores que não são os primeiros da lista tríplice e que não foram eleitos pela comunidade acadêmica, promovendo candidatos aliados ao governo federal”, criticou. “Precisamos fortalecer a luta em defesa das universidades e dos institutos federais, que são extremamente importantes para o desenvolvimento do Estado e do País. Seguimos nas ruas em defesa da educação pública, gratuita e de qualidade. Precisamos democratizar os espaços de decisão neste país, envolvendo mais as mulheres”, enfatizou.

O presidente do Conselho de Representantes da ADUFRGS-Sindical, Felipe Comunello, criticou a falta de autonomia universitária. “É um momento relevante para mobilizar as universidades, principalmente a UFRGS, que vive uma situação de intervenção e desestruturação administrativa, que levou o Conselho Universitário a pedir a destituição do reitor na justiça”, ressaltou. “Formamos uma verdadeira Frente Universitária em defesa da autonomia nas universidades. Estamos retomando com atrasado o retorno das atividades presenciais. A sociedade tem que saber o quanto trabalhamos durante a pandemia, mesmo com o ensino remoto.  As universidades tiveram papel importante produzindo pesquisas e vacinas e atuando na linha de frente no enfrentamento à Covid-19. Se não fosse isso, não teríamos condições de retomar o ensino presencial. No entanto, não tivemos nenhum apoio da UFRGS. Pelo contrário, a universidade nem sequer cumpriu a exigência de passaporte vacinal. Precisamos intensificar as mobilizações contra o desmonte da UFRGS e demais instituições”, reforçou.

Airton Silva, o presidente da UEE, falou em defesa dos direitos dos estudantes. “Hoje é um dia simbólico para aqueles e aquelas que defendem a democracia, um Brasil digno, livre e soberano para o nosso povo. Dia 31 de março marca o aniversário do golpe militar em nosso país. Um dos primeiros atos da ditadura foi incendiar a sede da UNE no Rio de Janeiro. Hoje nós ocupamos o pátio da UFRGS como forma de resistência em defesa da educação para pautar que esse lugar é nosso. Aqui não há interventor que tire o direito dos professores, estudantes e técnicos de construir uma universidade que garanta um retorno seguro para todos e todas”, destacou. “Não há interventor que barre o direito dos estudantes.”

O ato encerrou com uma roda de samba composta por mulheres negras cantoras e instrumentistas, um diferencial nesse segmento. Renata Pires (voz), Lidiane (pandeiro), Mari (cavaquinho).

Ato nacional pelo Brasil

Live

Hoje, 31, a partir das 18h, a ADUFRGS-Sindical retransmite pelo seu canal no Facebook live com presidentes e/ou representantes de entidades da educação, como parte da programação do Ato Nacional em Defesa das Universidades Pública e dos Institutos Federais. O evento virtual conta com a participação das seguintes entidades: Nilton Brandão, presidente do PROIFES, Eduardo Rolim, diretor Tesoureiro da ADUFRGS-Sindical e diretor de Relações Internacionais do PROIFES, Renato Janine Ribeiro, presidente da SBPC,  Fátima Silva, secretária geral da CNTE, Heleno Manoel Gomes Araújo Filho, coordenador geral da FNPE, Fabio Guedes, secretário executivo do ICTP.Br,  Cláudio Alex Jorge da Rocha, presidente do CONIF,  Flávia Calé da Silva, presidenta da ANPG,  Sérgio Ronaldo da Silva, secretário geral da Fonasefe/Condsef, Sérgio Nobre, presidente da CUT, Luiz Davidovich, presidente da ABC,  Adilson Gonçalves de Araújo, presidente da CTB, Marcus Vinicius David, presidente da ANDIFES, Rozana Barroso, presidenta da UBES e Ângela Lobo Costa, presidenta da ATENS.

Como salienta o PROIFES, os cortes nos orçamentos impactam não só na qualidade do ensino, pesquisa e extensão oferecidos pelas IFES, mas também nos reajustes dos salários dos professores e técnicos, que estão há mais de cinco anos sem reposição salarial, totalizando perdas de cerca de 32,9%, no caso dos docentes, o que não impediu as instituições de ensino superior de continuarem atuando durante a pandemia, ainda que para isso docentes tenham tido suas cargas horárias de trabalho aumentadas, com a implementação do ensino remoto e híbrido.

Fotos: Comunicação ADUFRGS-Sindical

Fonte: ADUFGRS-Sindical

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