ADUFSCar debate a situação da Universidade Pública e os desafios das mulheres cientistas

ADUFSCar debate a situação da Universidade Pública e os desafios das mulheres cientistas

 

A ADUFSCar realizou, na quarta-feira 03 de agosto, uma série de atividades no contexto da mobilização pela valorização da Educação e do trabalho docente. A programação incluiu uma mesa para apresentação do Observatório do Conhecimento, um debate sobre a atual conjuntura das Universidades públicas brasileiras e a exibição do documentário “Ciência: Luta de Mulher”, seguida de uma mesa redonda que abordou os desafios das mulheres nas ciências, na carreira acadêmica e nos espaços políticos e institucionais.

Em sua fala na abertura do evento, a presidenta do Sindicato, prof.ª Fernanda Castelano Rodrigues, destacou a necessidade da discussão, dentro da categoria docente, sobre as questões de gênero no ambiente acadêmico-científico, em particular as que se relacionam às dificuldades enfrentadas pelas professoras e ao enfrentamento do machismo; também ressaltou a importância de que a iniciativa para a realização dessas atividades tenha partido do Comitê de Promoção de Igualdade da ADUFSCar.

Apresentação do Observatório do Conhecimento

A primeira mesa apresentou o Observatório do Conhecimento, rede de associações e sindicatos de docentes que se articula em defesa da universidade pública e da liberdade acadêmica. Com participação em modalidade remota, Eduardo Valdoski e Andressa Oliveira, que atuam no Observatório, explicaram as diversas frentes de atuação dessa rede, com destaque para a produção de informações e análises sobre as políticas públicas para o Ensino Superior – com pautas e ações de visibilização e combate a ataques e fakenews que pretendem desqualificar a Universidade públicas e a comunidade universitária diante da opinião pública – e para o acompanhamento permanente das bancadas parlamentares, Comissões do Senado e da Câmara, Ministérios e Secretarias envolvidos diretamente em questões da Educação Superior.

Universidade: orçamentos, autonomia e igualdade de gênero

A segunda mesa do evento contou com exposições da reitora da UFSCar, profa. Ana Beatriz de Oliveira, e do prof. Vladimir Safatle, docente do Departamento de Filosofia USP, e foi mediada pela prof.ª Fernanda Castelano Rodrigues. A reitora iniciou comparando o atual momento vivido pela UFSCar com o ano de 1982, quando o governo ditatorial também desrespeitou a autonomia da universidade e não nomeou como reitor o candidato escolhido pela comunidade universitária. Os impactos dos mais recentes cortes orçamentários na UFSCar ocuparam o centro de sua apresentação: mais uma vez, a profa. Ana Beatriz explicou que não há recursos suficientes para todos os pagamentos das despesas discricionárias previstas para o ano de 2022 e que já estão comprometidas algumas atividades de ensino, pesquisa e extensão, uma vez que o orçamento deste ano das universidades federais é 40% inferior ao que foi aplicado em 2014. Sobre o tema que marcou as atividades desse dia, a reitora afirmou que é fundamental debater a equidade no espaço universitário, inclusive tendo em conta que a produção de conhecimento em Ciência e Tecnologia no Brasil se concentra no âmbito das universidades públicas, o que significa que o olhar para as questões de gênero na Ciência é, em grande parte, o olhar para a Universidade.

O prof. Safatle, em participação remota, iniciou sua intervenção citando o filósofo e matemático francês Marquês de Condorcet: “A função da educação pública é criar um povo insubmisso e difícil de governar”. Com essa afirmação, quis destacar a importância do princípio da autonomia das Universidades, tanto em relação ao Estado quanto ao Mercado, assim como a importância da reivindicação pelas eleições paritárias e pelo fim da escolha de dirigentes por meio de lista tríplice enviada ao governo. O professor também destacou os cortes no financiamento de pesquisas e a necessidade de que se estabeleçam critérios de avaliação das universidades brasileiras que contemplem os interesses e as especificidades nacionais, sem seguir modelos internacionais que, em grande parte, apenas reforçam a lógica neoliberal que se impõe no Ensino Superior. Nesse sentido, afirmou que também  é fundamental criar políticas que impeçam a precarização do trabalho de professoras e professores das IFES. Sobre a questão central discutida nesse dia, Safatle defendeu que todas as instâncias de poder sejam paritárias quanto ao gênero, insistindo na importância do desenvolvimento de uma política deliberada que conduza a um “Estado paritário”.

Ciência: Luta de Mulher

No final do dia, foi exibido o documentário “Ciência: Luta de Mulher”, produzido pelo Observatório do Conhecimento e que tem sido exibido nos sindicatos e associações que compõem essa rede em todo o Brasil. O filme conta a história de quatro cientistas: Helena Padilha, professora aposentada da Universidade Federal de Pernambuco e diretora da Adufepe; Nina da Hora, cientista da computação, hacker antirracista e pesquisadora de temas ligados à segurança digital; Maria da Glória Teixeira, professora da Universidade Federal da Bahia; e Isis Abel, bióloga e professora da Universidade Federal do Pará.

Após a exibição, a profª Monica Stival, representante da ADUFSCar no Observatório, mediou o debate sobre os desafios da mulher cientista. A profa. Mayra Goulart da Silva, vice-presidente da ADUFRJ, explicou que o documentário relata a trajetória real de quatro cientistas com diferentes perfis, de diferentes áreas do conhecimento, em quatro territórios distintos; são quatro histórias muito diversas que se entrelaçam no filme com o objetivo de produzir identificação em meninas e mulheres, para difundir a ideia de que a ciência, como qualquer outro espaço, é e deve ser um ambiente para elas. Já a docente do Departamento de Terapia Ocupacional da UFSCar, profa. Sabrina Ferigato, pontuou, os desafios adicionais que as mulheres pesquisadoras e docentes enfrentam em sua vida cotidiana; partindo de sua área de conhecimento, a docente afirmou não ser mais possível continuar insistindo numa separação entre o trabalho e o cuidado e defendeu um olhar sensível às demandas das mulheres no ambiente acadêmico-científico.

Em breve, o debate sobre o documentário estará disponível em nosso canal do youtube. A matéria completa sobre o evento estará na próxima edição do Jornal ADUFSCar.

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