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ADUFRGS-Sindical encerra a primeira etapa do Ciclo de palestras “A Universidade do Futuro”

Fonte: ADUFRGS-Sindical

 

Quinta e última palestra do ciclo “A Universidade do Futuro”, uma iniciativa conjunta da ADUFRGS-Sindical e do Instituto Latino Americano de Estudos Avançados (ILEA/UFRGS), lotou o auditório do ILEA na tarde da última quinta-feira (13/06).

 

Com o tema “Perspectiva da Universidade na Era da Mundialização”, o evento teve como palestrantes o reitor da UFRGS, Carlos Alexandre Netto; o reitor da Unila, Hélgio Henrique Casses Trindade; o presidente do Proifes-Federação, Eduardo Rolim de Oliveira; e o professor titular do Instituto de Física da UFRGS, José Roberto Iglesias.

 

Eduardo Rolim de Oliveira, o primeiro a falar, apresentou o perfil atual dos professores das Instituições Federais de Ensino Superior (Ifes) em todo o Brasil, dando ênfase à evolução quantitativa e qualitativa observada na última década. Segundo o MEC atualmente há cerca de 70 mil professores ativos nas Ifes, sendo que aproximadamente 36 mil foram contratados entre 2003 e 2011. Em 2006, 48% eram doutores e em 2013 esse percentual sobiu para 70%. Na medida em que cresceu o número de doutores, caiu o de graduados, o que significa, na avaliação de Rolim, que os professores graduados foram se aposentando e sendo substituídos por novos doutores.

 

Um problema apontado pelo presidente do Proifes-Federação é a concentração de financiamento de pesquisa no Brasil, entre grupos já consolidados, que se baseia em avaliação e produtividade, situação que precisa ser repensada. “Será que esse modelo de financiamento à pesquisa, concentrado, no qual grupos reproduzem em si próprios os financiamentos, vai ser capaz de dar conta de uma explosão tão gigantesca no número de professores?”, lançou a pergunta para reflexão.

 

Hélgio Trindade falou sobre a necessidade de se distinguir internacionalização e circulação internacional. Para ele, um pesquisador pode internacionalizar o conhecimento produzido a partir de sua sala de trabalho, compartilhando-o com pesquisadores de outras partes do mundo, através das várias ferramentas hoje disponíveis. Assim, como o pesquisador pode viajar de um lado para outro, participando de congressos, e não necessariamente contribuir com a internacionalização da Universidade. “Compartilhar o conhecimento é a moeda mais democrática e ao mesmo tempo a moeda que tem o poder de integrar de uma maneira profunda”, disse.

 

Certa mistura de paternalismo e teorias pós-modernas baseadas no relativismo das ideias foi apontada pelo professor José Roberto Iglesias, o terceiro palestrante da tarde, como um dos perigos para o futuro da Universidade. “O respeito pela diversidade não significa que todas as culturas tenham o mesmo valor. Sei que esse comentário pode parecer politicamente incorreto, mas corremos o risco de, dentro da Universidade, dar o mesmo peso a qualquer ideia, qualquer teoria e, de alguma forma, eliminar o debate no sentido de chegar a um consenso sobre propostas. Não se pode construir uma universidade sem uma proposta, uma linha de desenvolvimento, sem exigir em todos os níveis, desde pesquisadores a alunos”, justificou.

 

O reitor Carlos Alexandre Netto apresentou dados específicos da UFRGS, que hoje mantém parceria com 230 instituições em 50 países, e iniciou sua fala lembrando que o caráter internacional está no DNA das universidades. “Para nós, esse processo de internacionalização é uma meta recente, porque o sistema brasileiro de universidades é muito jovem. A Universidade de Salamanca, por exemplo, completa em breve 800 anos, enquanto a UFRGS completa 80 anos no ano que vem, e é uma das mais antigas do Brasil”, disse. Para ele, não existem fronteiras para o conhecimento e para a ciência, assim também como não pode haver para as instituições que tratam destes temas. Ele enumerou algumas ações da UFRGS no sentido da internacionalização que são parcerias estratégicas, redes de universidades, programas de mobilização e programas culturais.

 

A presidente da ADUFRGS-Sindical, Maria Luiza Ambros von Holeben, levantou a preocupação com a questão do financiamento de pesquisas para professores recém contratados e a substituição no quadro em casos de estágios no exterior, por exemplo em pós-doutorado ou sabático, atividades muito importantes para a internacionalização da Universidade.

A ADUFRGS–Sindical manifesta a sua satisfação com o sucesso do evento e da parceria com o ILEA na realização deste Ciclo de Palestras.

 

Em breve o vídeo desta palestra estará disponível no youtube.

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Agência Proifes

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