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ADUFRGS: Novembro acabou, mas ações sobre consciência negra continuam nas IFES

O mês de novembro foi marcado pela conscientização a respeito do racismo. A ADUFRGS-Sindical homenageou o poeta e ativista negro Oliveira Silveira (1941-2009) e, por meio dele todos aqueles que lutam pelo fim do preconceito e pelo acesso dos negros à universidade e a todos os espaços sociais e de poder.

Para contribuir ainda mais com o debate, apresentamos, agora, algumas iniciativas das nossas universidades e institutos federais para ampliar a discussão sobre o racismo no Brasil. Durante o mês, foram realizadas diversas lives e atividades com a temática, mas o trabalho continua.

A UFRGS, por exemplo, criou uma homepage dedicada a Oliveira Silveira e sua obra, lançada em 20 de novembro, Dia da Consciência Negra: . No site estão reunidas diversas iniciativas abertas da universidade, como o curso Oliveira Silveira: o poeta da consciência negra, gratuito pela plataforma Lúmina.

Mapeamento de professores negros

Não é de hoje, porém, que a UFRGS discute a questão do negro na universidade. Uma das iniciativas mais representativas da Instituição foi o mapeamento dos professores da UFRGS quanto à raça/cor, como destaca a professora e antropóloga Denise Jardim, que participou da coleta e análise dos dados quando esteve à frente da Coordenadoria de Acompanhamento do Programa de Ações Afirmativas (CAF) da instituição.

De acordo com o levantamento, entre as 29 unidades da UFRGS consultadas, 18 devolveram o questionário preenchido. Nestas, foram identificados somente 15 professores negros em um universo de 1851 docentes. Entretanto, segundo Denise, foi “esquecida” uma professora negra, justamente conselheira da CAF, pelo seu Departamento na pesquisa. Ou seja, o número correto seria 16 professores negros nessas 18 unidades.

“Temos que pensar sobre os “esquecimentos” como parte do problema da heteroidentificação. Indicar alguém como negro por parte de uma pessoa branca não é assunto simples pois envolve a pressuposição de que estamos exercendo um racismo, em um país que celebra o branqueamento, onde é visto como elogioso embranquecer ou desconsiderar a pessoa por sua cor”, afirma a professora e antropóloga. “Entretanto, é sobre essas dificuldades que por vezes se assentam outras formas de desconsideração de trajetórias negras de sucesso acadêmico, pois são colocadas como pessoas que iriam ‘perder’ suas referências de suas trajetórias ao ‘ganhar’ um embranquecimento social”, completa, com certa ironia.

Denise ressalta que o levantamento gerou ações afirmativas que ainda terão reflexos futuros, como a melhoria dos editais de concursos públicos, para que mais professores negros possam ter acesso à universidade. Segundo ela, iniciativas como essa e o próprio Dia da Consciência Negra “fazem com que percebamos que fazemos parte da difícil equação das relações interraciais desse país. Não somos um campo ‘neutro’. Temos cor e muito a pensar sobre o que seriam atitudes antirracistas a partir do que movimentos sociais e coletivos nos falam. Deixemos sim de ser reativos.”

Além disso, para Denise, ter mais alunos negros e pardos na universidade requer ter mais professores que criem essa identificação com eles, que sejam um exemplo de sucesso. “Hoje os próprios alunos percebem essa homogeneidade (da raça branca) e referem a ela como desprovida de pessoas com quem possam se identificar ou se espelhar para prosseguir em uma trajetória como cientistas ou acadêmicos.”

Formação antirracista

A formação antirracista e de professores que desejem atuar nas comissões de heteroidentificação é uma das preocupações do IFRS, que desenvolveu o curso “Educação para as Relações Étnico-Raciais: políticas e conceitos”, gratuitamente. Os encontros, que estão disponíveis no canal do IFRS no YouTube, abordam a importância das cotas, políticas de ações afirmativas e educação antirracista.

O IFSUL também realizou uma série de atividades online ao longo do Mês da Consciência Negra e explicou todas as suas ações afirmativas, dentro do Departamento de Educação Inclusiva (Depei) e dos Núcleos Estudos e Pesquisas Afrobrasileiros e Indígenas (Neabi) de todos os campus, no VII Seminário de Direitos Humanos do IFSul, que ocorreu no dia 30 de novembro.

Mais acesso para estudantes negros

O acesso e permanência dos negros à universidade é uma das preocupações das Instituições Federais de Educação Superior. Um exemplo disso é o Projeto de Extensão da UFCSPA Coletivo Negro Raça, que realiza rodas de conversa na internet e tira dúvidas de estudantes do Ensino Médio. O objetivo do grupo é fortalecer a identidade negra, buscar a inclusão e reivindicar espaços sociais. Durante a pandemia, o projeto está bem ativo pelo Instagram, Facebook e Tik Tok.

Fonte: Portal Adverso

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Agência Proifes

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