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Adufg 40 anos: busca pela integração

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Adufg 40 anos: busca pela integração

“A primeira greve começou aqui”, conta o professor Marco Antônio Sperb Leite, apontando para o chão, mas falando do então Instituto de Matemática e Física (IMF) da UFG.“Começou na minha sala, inclusive, no IMF. Fomos até a sala do Juarez Milano e falamos: ‘vamos fazer greve’”. Muita luta e engajamento pela carreira docente e também pela universidade, foi como o professor definiu a sua diretoria, a segunda eleita do Adufg-Sindicato. “Pintou um movimento interessante que tinha como foco lutar pela universidade pública e não pelos professores. Tinha um sentido amplo”, conta. Sperb Leite declarou, ainda, que a situação da época, em certos aspectos, se aproxima da atualidade: “a universidade pública passa por um momento extremamente delicado”.

Ele destaca a mobilização ao redor da primeira greve e o medo, pois para dar certo, a categoria precisa apoiar a ideia em massa. “Naquele momento, se demitisse uns três – incluindo eu e a Mindé – acabava a greve”, destaca. Para os dias de hoje, Sperb Leite acha que falta discutir mais a universidade pública e uma docência mais preocupada com o ensino público do que com a carreira. Ele chama atenção para o fato de que, na época, o movimento docente era composto por professores de diversas visões políticas e que ele não vê esse engajamento da mesma forma. “Hoje estamos deixando de lado a discussão da universidade pública, aberta e ligada aos interesses da população”, afirmou. A categoria parece estar muito presa a discussões burocráticas, completa o professor.

A sede da associação que foi primeiro em uma sala emprestada da FM e depois no porão da FE. Era humilde, mas Sperb Leite acredita que havia grande significado: “Era um negócio dentro da universidade. Quando começou nós defendíamos ficar dentro da universidade para integrar, porque nós somos donos disso aqui, no sentido amplo”. Mas ele admite que os tempos e elogiou o sindicato por ter se mantido plural e sem vínculos partidários, o que ele diz ser o começo do fim para qualquer associação.

“Outra coisa muito importante é que nunca, dentro da Adufg, você viu um cartaz político. A gente tinha clareza absoluta de não misturar as coisas, porque se você partidariza uma associação, se lascou a associação”, argumenta. Hoje, ele acredita que a classe precisa se unir mais para lutar de uma forma mais eficiente e que não adianta apenas reclamar. “Vejo um certo encastelamento da UFG, muito longe da sociedade, da realidade. Falta essa ligação. Falta planejamento”, finaliza, dizendo que cabe aos professores e ao sindicato pressionar por isso.

Sobre a movimentação da época, ele destaca o papel do IMF, já que professores o Instituto que eram ligados a instituições de São Paulo, do Rio e de outros centros traziam informações que ajudaram o movimento goiano a se integrar e se posicionar nacionalmente. Eles conseguiram dar projeção para a UFG, que ficou ainda mais reconhecida no Brasil.

Transição

Após Sperb Leite, quem assumiu a presidência entre 1983 foi o professor Américo Tristão, também do IMF, que ingressou na UFG apenas em 1980, mas que já possuía um engajamento pregresso desde o movimento estudantil nos anos 1970. Tristão pegou um período nacional curioso em que o processo de abertura estava no fim e a democracia se avizinhava. “Foi um processo coletivo, de bastante mobilização. Goiás tem uma tradição política importante”, destaca.

Ele também chamou atenção para a pluralidade sua diretoria e da diretoria anterior. “Uma coisa muito importante é que você tinha um conjunto de posições políticas muito diversas, com visões bastante amplas da sociedade na chapa”, relembra. Tristão disse que é difícil explicar a efervescência política da época, quando diversos movimentos estavam se organizando e dialogando entre si, no crepúsculo da ditadura: “Já no final do processo de abertura do Geisel, havia toda uma grande movimentação sindical, com a greve dos metalúrgicos, com a formação da CUT. O movimento docente e os movimentos sociais estavam passando por um processo muito rápido de autonomia e crescimento”.

Isso não significa que o sindicato não enfrentava problemas. “Os obstáculos eram diversos: ainda vivíamos várias restrições no serviço público, dificuldades de enfrentamento, muitos anos de atraso em legislação, mas nada disso nos impediu de ir em frente”, disse. Mas foi um período de muita mudança, união e, especialmente, de otimismo. “Essa transição foi um processo muito rico e muito complexo”, comenta. “Havia um espírito bastante forte de integração dentro da universidade, uma visão muito otimista da realidade: estávamos vivendo todo aquele processo de desagregação do regime militar, tivemos as primeiras eleições mais livres em 1982, voltaram todas as lideranças políticas exiladas”.

Sobre a declaração de Sperb Leite sobre o engajamento do IMF, Américo é mais diplomático e agregador: “Isso aí é muita falta de modéstia (risos)! Éramos, éramos, mas havia muita gente bastante engajada em outras unidades, como o pessoal da Educação. Tanto que a sede da Adufg era lá”. Mas ele relembra que o engajamento dos docentes era grande e que englobava todas as unidades e mesmo fora da UFG. “Tinha um corpo de professores muito importante que veio de todos os lugares [da universidade] com grande maturidade, vivência na militância. Era um espírito que estava espalhado pela universidade e também na Católica, que tinha uma tradição, uma riqueza de engajamento muito grande”, finaliza Américo.

Fonte: Jornal do Professor

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