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A Reforma Administrativa vai mesmo combater privilégios?

Provavelmente, você já ouviu a história de que a Reforma Administrativa (PEC 32/2020) teria sido criada para “combater privilégios” no serviço público.

Mas será que ela pretende realmente resolver problemas do país? Ou foi criada apenas para enganar a população?

Para os amigos, tudo

Com essa proposta, o Governo Federal escolheu não incomodar os membros de certas categorias, como procuradores, promotores, juízes, desembargadores, ministros de tribunais regionais ou das cortes superiores (STF e STJ), por exemplo, que são, coincidentemente (ou não) aqueles que podem investigar, julgar e punir os crimes de componentes do governo, da família presidencial (fartamente investigada) ou de apoiadores (de dentro da política ou de outros setores, como aqueles que operam as redes de ódio e fake news a favor do governo).

Os políticos, que não são servidores, mas são pagos com recursos públicos e decidem sobre o futuro do governo (inclusive sobre o julgamento de processos contra o presidente) também ficaram de fora.

E os militares, para quem o governo foi loteado e, por isso, servem de apoio (às vezes, ameaçando a democracia) também não serão atingidos.

A proposta pretende também preservar direitos de algumas carreiras, como da Polícia Federal e da Receita Federal, cujos membros conduzem investigações que envolvem (novamente) a família presidencial.

Coincidência?

Distorção

Escondendo suas reais intenções, o governo Bolsonaro monta um operativo para influenciar a opinião pública contra os servidores, tentando conseguir apoio da população à Reforma Administrativa.

Adotando a mesma tática usada para aprovar outros projetos, o governo e seus apoiadores mentem, manipulam as informações, mas não conseguem apresentar dados reais para justificar a proposta (neste caso, o Ministério da Economia chegou a decretar sigilo sobre os supostos dados, se é que eles existem).

Em um primeiro movimento, vendem a ideia de que todo o funcionalismo recebe altos salários, o que é uma mentira. A média salarial dos servidores no Brasil é abaixo de três salários-mínimos.

Já num segundo momento, fazem parecer que todos recebem os mesmos benefícios e são regidos pelas mesmas regras, para criar no imaginário popular a ideia de que todos são privilegiados.

Eles não contam, por exemplo, que mais de 60% dos servidores atuam nas áreas de Educação, Saúde e Segurança Pública, que são consideradas essenciais. Na esfera federal, 1 a cada 4 profissionais são professoras ou professores.

Por mais incoerente que seja, espalhar desinformação sobre os servidores é algo que reúne, ao mesmo tempo, o governo, seus apoiadores, setores extremistas, milícias digitais, políticos oportunistas e a velha mídia tradicional. Todos unidos com um só objetivo: beneficiar as elites já privilegiadas do país, que pretendem se apropriar do que hoje é público para lucrar sobre as necessidades da população.

Maior arma é a informação

Nessa guerra discursiva, a melhor arma para combater as inverdades sobre a Reforma Administrativa é a informação de qualidade.

Em meio a um gigantesco universo de fake news, espalhadas propositadamente para tirar o foco da população, é bom desconfiar das generalizações feitas contra os servidores públicos.

Você pode ter um importante papel, dialogando com seus colegas, assim como pessoas próximas e familiares.

Explique a importância do funcionalismo na manutenção de serviços de qualidade no Brasil.

Cada vez que os trabalhadores perdem direitos, potencializam-se mais desigualdades e exclusões.

Busque esclarecer mal-entendidos e explicar o cenário de destruição que assolará o Brasil, caso a PEC seja aprovada.

Barrar a Reforma Administrativa é impedir a destruição do Brasil.

Fonte: Ascom APUB-Sindicato

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