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40 Adufg-Sindicato por Mindé Badauy: “Foi um período muito difícil, mas sinto falta”

Professora foi a primeira presidente eleita do Adufg-Sindicato e responsável pela estruturação e por embates políticos

Após a fundação em 1978, o Adufg-Sindicato, inicialmente uma associação de professores, lutava para se organizar e se estabelecer. A professora Mindé Badauy, da Faculdade de Educação (FE), foi a primeira presidente eleita, após a diretoria provisória liderada pelo professor Hélio Furtado do Amaral, um dos idealizadores da associação.

A primeira ação foi observar a situação dos professores com quem a UFG lidava de maneira muito arbitrária durante o regime militar. “A gente trabalhou nos porões da ditadura. O objetivo naquele momento era de organizar politicamente para a defesa dos professores presos fora do país. Eu diria que foi bastante significativo o movimento, tivemos uma resposta muito boa de trazer de volta para o Brasil exilados políticos e para os professores que sofriam muita pressão”, conta a professora. Os processos eram em favor de professores exilados e banidos da universidade sem explicações. A associação, que ainda não era sindicato, teve papel fundamental na reintegração destes professores. “Era dificílimo fazer reintegração, mas sem a Adufg seria impossível”, lembra Mindé.

A presidência de Mindé estruturou a associação e ampliou as pautas e a atuação política. Depois de sair da sala improvisada na Faculdade de Medicina (FM), a sede foi por muito tempo na FE. Os tempos de estrutura precária ficaram para trás: atualmente, o Adufg-Sindicato tem sede própria e Sede Campestre em Goiânia, subsedes em Jataí e Catalão, além de uma na capital. Para o próximo ano, está prevista a ampliação na capital, em dois terrenos que já foram adquiridos.

Durante os primeiros anos, quando o sindicato ainda era associação, tudo era um desafio para além das pautas, o que ajudou a formar a espinha dorsal engajada dos docentes, incluindo embates físicos com a polícia. “Fizemos enfrentamentos de muitas naturezas. Se você falava dos salários, os professores achavam ótimo; se eram questões políticas, eles hesitavam. Mas conseguimos fazer um trabalho muito bom, representando os professores, conseguimos fazer bons debates, com seminários de muita boa qualidade”, ressalta.

Mindé Badauy também acredita que o sindicato teve papel importante em moldar a UFG: “Acho que conseguimos fazer a universidade repensar o papel dela. Fizemos um trabalho na reformulação dos cursos, mais pautados na realidade brasileira, e o sindicato teve um papel muito importante, apesar de termos tido enfrentamentos muito difíceis”.

“Trabalhamos muito nos outros sindicatos, ajudamos a fundar outros sindicatos. Eles foram se aproximando conforme foram sentindo que tinham um respaldo”, explica Mindé. Com uma estrutura melhor estabelecida, os docentes se aproximaram, o sindicato foi crescendo, a adesão aumentou. “Os professores tiveram mais campo para negociação também, e para pesquisa, para verbas”, recorda.

Antes, houve dificuldade no contato com os professores avessos à política. Mas foi exatamente essa atuação política que tornou a associação reconhecida dentro e fora da UFG e depois viabilizou a implementação de serviços de assistência, como plano de saúde. O plano de carreira era outra pauta constante. “A questão salarial estava posta também porque estávamos em um período de muita agressão contra a universidade e era uma pauta que unia a categoria”. A luta por plano de carreira e salários foi outro fator que contribuiu para o aumento da adesão dos professores.

A professora destaca que é necessário recolocar o papel político sindical no centro das pautas devido à atual situação do País, com um governo mais conservador e um Ministério da Educação (MEC) retrógrado. “Neste momento, esta função do sindicato é extremamente relevante. Estamos vivendo em um país que é uma ditadura, com vigilância e censura nas universidades, coisa que nem no regime militar a gente tinha”, declara, “o sindicato tem uma função política de extrema relevância”. Para Mindé, essa política é a principal função de um sindicato.

Resgate

Mindé acredita que é importante, tanto para os sindicalizados como para os não-filiados e a sociedade em geral, não esquecer a história dos docentes na UFG, especialmente durante tempos tão difíceis como aqueles – e como os dias atuais. “É preciso que a compreensão sobre o sindicato seja ampliada. Muita gente não conhece a história do sindicato e sua função. É importante demais da conta fazer esse resgate, especialmente agora, que o sindicato precisa de grande atuação, pois trabalha com grandes pessoas da universidade”. Para ela, os docentes enfrentarão grandes dificuldades com o governo atual e precisarão usar o sindicato como ferramenta: “Temos que nos contrapor ao que está acontecendo no Brasil. Essa luta transcende o âmbito da universidade”.

Tanto é que, de seu tempo à frente do Adufg-Sindicato, Mindé crê que a imposição de espaço e de visibilidade foi o maior legado deixado pela primeira diretoria: “Acho que conquistamos o respeito da própria universidade, fizemos vários eventos com convidados respeitados, o que elevou muito o nível do debate. E conseguimos unir os professores como categoria de uma maneira satisfatória. Acho que esse é o saldo positivo”. E finaliza: “O sindicato hoje é reconhecido”.

Da luta sindical, Mindé Badauy sente falta e conta que foi muito feliz na função, apesar dos desafios constantes. “Eu tenho saudades. Eu fui muito feliz. Foi um período muito difícil, mas sinto falta sim. Acho que a gente amadurece muito nossa capacidade de ver os fatos. Eu ganhei muito, tenho o maior respeito pelo sindicato e creio que foi formativo realizar essa função”. Após ter sido eleita com 79 votos em 1979, ela ainda voltou ao cargo quase dez anos depois, para o biênio de 1987.

Fonte: Adufg-sindicato

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Agência Proifes

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