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SINDIEDUTEC: Nota de repúdio aos ataques contra a educação dos setores de Filosofia e Sociologia

Publicado em : 09/05/2019

Nota do SINDIEDUTEC-Sindicato em defesa das faculdades de Filosofia e Sociologia e em repúdio às afirmações do presidente Jair Bolsonaro em “desinvestir” nas “faculdades de filosofia e sociologia (humanas)”

Em defesa da pluralidade, da formação universal e laica e da formação em nível superior capaz de despertar a consciência crítica, cidadã, reflexiva e ética, o Sindiedutec-Sindicato vem repudiar as afirmações do Presidente da República, Jair Bolsonaro, e de seu Ministro da Educação, Abraham Weintraub, que demonstram preocupante desconhecimento da relevância do papel das ciências humanas na formação acadêmica dos jovens brasileiros.

Assim que empossado, o Ministro da Educação Abraham Weintraub em entrevista mostrou preocupação com o fato de os filhos de agricultores se dirigirem para a universidade, “cursarem filosofia” e voltarem para as suas famílias com o “diploma de antropólogo” (sic). O primeiro disparate é a falta de informação do senhor ministro a respeito do tipo de graduação requerida para se tornar antropólogo. Ele mostra desconhecimento sobre o diagrama acadêmico brasileiro. Entre pitoresca e pouco sapiente, a afirmação causou preocupação nos educadores de norte a sul do país.

Não contentes com esse deslize, na sequência o Ministro em questão e o Presidente Jair Bolsonaro anunciaram que o Ministério da Educação “estuda descentralizar investimento em faculdades de filosofia e sociologia (humanas). Alunos já matriculados não serão afetados. O objetivo é focar em áreas que gerem retorno imediato ao contribuinte, como: veterinária, engenharia e medicina” (Palavras do presidente no Twiter). Tal afirmação parte da premissa equivocada de que universitários formados geram emprego e renda magicamente. Se não há emprego e nem produção de renda, questão com a qual o presidente realmente deveria se preocupar e resolver, tais bacharéis sozinhos não conseguirão resolver o problema.

Cabe salientar, mais uma vez, o desconhecimento dos atuais líderes do poder executivo brasileiro. Primeiro, a área de ciências humanas não é compreendida apenas pelas disciplinas citadas pelo presidente. Depois, praticamente não há cursos de sociologia no Brasil. Assim como o ministro desconhece que, para se tornar antropólogo, é necessário cursar graduação com o mesmo nome ou então em ciências sociais. O presidente igualmente desconhece que a maioria absoluta da formação em sociologia no Brasil está inserida também no curso de ciências sociais — área, aliás, que agrupa também a ciência política. São raros os cursos de sociologia, antropologia ou ciência política separados em nosso país. Observa-se, ainda, que a filosofia não tem sido considerada propriamente uma ciência humana, mas um tipo de saber cujo papel é o questionamento reflexivo do pensamento e do próprio conhecimento científico.

Diante da ignorância do Ministro da Educação e do Presidente da República no que diz respeito à estrutura organizacional das humanidades e da filosofia no Brasil, embora espantoso não nos surpreende que eles não sejam capazes de reconhecer o papel de tais áreas na construção de uma sociedade desenvolvida, democrática e inclusiva.

Desconhecem ambos que nenhuma universidade de ponta, em qualquer lugar no mundo, prescindiu de tais áreas. Para que haja equilíbrio entre ciência de base e ciência aplicada, teoria e prática, valor imediato e resultado de longo prazo tais áreas são indispensáveis. São elas que estudam o comportamento humano, a continuidade e as descontinuidades nas tramas sociais e políticas, a aplicação e os usos sociais da ciência. São elas, ainda, que fomentam reflexões sobre as práticas, de modo geral, e que oferecem subsídios para o planejamento de políticas públicas e para o mapeamento das tendências de mercado.

O retorno social oferecido por estas áreas é fornecer modelos teóricos e analíticos para as demais áreas do conhecimento (e para a sociedade como um todo), possibilitando que as produções científicas, de modo geral, fundamentem seus saberes técnicos por meio da consideração dos aspectos éticos, sociais, psicológicos, cognitivos, existenciais, ambientais, políticos, econômicos e culturais. Assim sendo, é preciso reconhecer que o caráter reflexivo e propositivo das ciências humanas e da filosofia distancia tais áreas de compreensões que, erroneamente, vêem o “imediatismo” como fonte de legitimação de qualquer tipo de conhecimento. Dizer que uma ciência ou área do conhecimento legitima-se apenas quando traz “retorno imediato” à sociedade é algo perigoso, pois nem sempre o imediatismo é o mais indicado na busca pelos melhores resultados.

Por fim, cabe salientar que a perseguição à liberdade de conhecimento não é uma invenção recente. É sabido que Sócrates foi acusado e condenado à morte por supostamente “corromper” a juventude. O crime de Sócrates? Ensinar aqueles jovens a questionarem, perguntarem sempre e desconfiarem do que julgavam saber. Nos termos atuais, o pensador grego estamparia posts de redes sociais como um perigoso doutrinador. O fato é que tanto lá quanto cá os sábios tinham consciência de sua ignorância e os ignorantes certeza do que não sabiam. A instabilidade provocada pela dúvida é demais para estes, contra o quê só são capazes de reagir com violência e agressão.

Não nos surpreende, por exemplo, que em países onde regimes totalitários imperaram, como é o caso do Nazismo na Alemanha e do Stalinismo na União Soviética e mesmo nos regimes ditatoriais brasileiros, filósofos, sociólogos e livres pensadores em geral foram presos, torturados e mortos, livros foram incendiados, ideias foram reprimidas.

O Sindiedutec-Sindicato — ao repudiar as declarações do Ministro Abraham Weintraub e do Presidente Jair Bolsonaro e ao posicionar-se firmemente em defesa da liberdade acadêmica e de cátedra, do pensamento pluralista e do questionamento como forma de reflexão — defende a continuidade das faculdades de filosofia e sociologia (ciências sociais, na verdade) e ainda reafirma a necessidade de ampliação de recursos tanto para estas áreas quanto para as universidades como um todo.

Fonte: Ascom SINDIEDUTEC-Sindicato








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