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ADUFG-Sindicato: Cine UFG completa 10 anos com mostra comemorativa

Publicado em : 09/10/2018

“Nesse espaço que nós estamos vendo aqui, talvez fosse o pior auditório da UFG”, conta o professor Anselmo Pessoa, da Faculdade de Letras, sentado nas cadeiras do Cine UFG. Ele se refere a antigo auditório da faculdade, que deu lugar ao que hoje é a sala de cinema que acaba de completar 10 anos. “Os projetistas, atendendo às demandas da faculdade, com dinheiro praticamente zero naquele momento, fizeram uma coisa que era um teatro, com palco, que era um auditório, uma sala de defesa... no final não era nenhuma dessas coisas. Era algo muito rústico”, critica o professor. Acabou que ele se incumbiu da missão de mudar aquele auditório.

Essa história começa não há 10, mas há 20 anos atrás, quando ele se tornou diretor da faculdade e, depois, assumiu a Pró-Reitoria de Extensão e Cultura (Proec). “A faculdade como um todo ainda era muito desorganizada do ponto de vista de estrutura física, nada funcionava a contento e este auditório me intrigou de cara. Era vergonhoso receber alguém aqui. Ao mesmo tempo, não tínhamos dinheiro. Logo que fui eleito, fiquei com isto martelando e pensei, ‘pô, por que não construir um cinema naquele auditório?’ e onde que eu vou arrumar o dinheiro?”, conta. Ao mesmo tempo começava um novo governo do Estado que foi o primeiro mandato de Marconi Perillo, que tomou posse em janeiro de 1999. Coincidentemente, Anselmo passou a ter contatos no secretariado: os professores Nasr Chaul, Raquel Teixeira e Denise Carvalho que na época assumiram, respectivamente, a Agência Goiana de Cultura Pedro Ludovico Teixeira (Agepel), a então Secretaria de Educação e a então Secretaria de Ciência e Tecnologia e foi até eles com uma proposta.

Foi organizada uma reunião com a presença da então reitora professora Milca Severino Pereira. “Apresentei o projeto que tinha sido encomendado, também sem condições de pagar (risos) de uma arquiteta muito amiga minha que é a Débora Brito, que fez o projeto pra mim a fundo perdido”, relata Anselmo. Ele propôs dividir o projeto entre as três secretarias de Estado: a Agepel ficaria por conta do projetor, a Secretaria de Ciência e Tecnologia daria as cadeiras, a Secretaria de Educação faria a reforma física do espaço. “Nessa reunião todos concordaram, tudo bonito, tudo lindo. Mas aí na hora de sair entram milhões de variantes”, conta o professor, “o processo que mais começou a andar foi o do Chaul, apesar de gigantescos entraves burocráticos. Vira e mexe fazíamos visitas ao secretariado e ao próprio governador. Mas em relação às reformas e às poltronas, não saía do lugar”.

Ele então decidiu abrir mão das parcerias e sugeriu tentar fazer tudo através da Agepel, o que acabou dando certo, mas ainda assim não foram os últimos obstáculos encontrados. “Demorou demais. O Edward foi eleito e me convidou para assumir a Proec. Lembro que quando instalaram essas poltronas aqui, elas foram instaladas de maneira errada, então tiramos tudo, para refazer e mexer nesse piso. Essa parte já foi a reitoria do Edward que fez com verba da própria UFG e inauguramos nessa gestão”, conta. No final, o projeto que começou a ser pensado em 1998 só foi inaugurado no dia 29 de agosto de 2008.

Mas inaugurar não era um fim em si mesmo. Faltava planejar como toda a programação iria funcionar, tendo em mente que um cinema precisa ter público. “Eu era um cinéfilo e por minha experiência eu sabia o que podia dar errado em uma sala. Nesse período eu morava no Centro e frequentava muito o Cine Cultura, ia a pé”, conta, só que “praticamente todas as vezes eu ia e a sala estava fechada”. Ele conta que ficava muito frustrado até que deixou de ir. Portanto, “um cinema só consegue se manter se ele tiver sessões permanentes e não falhar, pro expectador vir e não quebrar a cara, porque senão ele não volta”.

A estratégia era ter mostras ligeiras, temáticas e sempre mudando, para apelar de fato para um público cinéfilo. “Nossa programação era muito rápida. Mesmo sem saber o título, o expectador viria porque gosta de cinema e porque sabe que tem sessão às 12h30 e às 17h30. Mantivemos isso por oito anos”, se orgulha o professor. “Por questões em que ninguém tem culpa, as gestões que nos sucederam não conseguiram manter esse ritmo”, lamenta.

Apesar de toda a demora, o professor Anselmo se diz profundamente orgulhoso do Cine UFG. “Aqui tudo, cada detalhe foi pensado. Essa mesa que você encontra uma réplica lá no Centro de Eventos foi desenhada para essa sala com essas medidas. As poltronas, a tela, o sistema de som, o armário para a aparelhagem, já estava tudo no projeto. Do pior auditório da UFG, ele passou a ser, quando foi inaugurado, o melhor da UFG”, relembra.  “‘O Cine UFG é um fracasso’, ouvia isso de várias pessoas, de colegas, de amigos, e nós insistimos, formamos um público fantástico, com sessões completamente cheias. Quando acertávamos na programação e tínhamos uma boa divulgação, que é essencial, a gente colocava 100, 140 pessoas meio-dia e meia aqui na sala. No final do meu mandato, o Cine UFG já era um sucesso”, finaliza.

Os 10 anos

Após muitos anos de programação fiel e variada, geralmente de clássicos, o Cine UFG passou por dificuldades, perdendo funcionários, e passou os últimos dois anos exibindo praticamente apenas filmes nacionais cedidos pelo Programa Brasil, da Ancine, que oferece filmes financiados com verba pública para serem exibidos em salas públicas, e também um cineclube de cinema francês, conduzido por uma professora da FL. Quem acompanhou tudo isso de perto foi o técnico audiovisual Nilo Borges, responsável pelo cinema e funcionário exclusivo do Cine UFG há oito anos.

Ele explica que o cinema possui algumas condições que complicam um pouco a sua situação. Por exemplo, ele só pode exibir filmes entre os turnos e, por não cobrar ingresso, perde sua capacidade de negociação com as distribuidoras. Com isto em mente, Nilo conta que no começo do ano já começou a pensar na mostra comemorativa, tendo em mente que os recursos eram muito limitados. “Pensei em fazermos alguma coisa especial. Fazer com filme estrangeiro era praticamente impossível, muito caro, coisa de R$ 20 mil”, conta.

Daí veio a ideia de valorizar a produção local que, “de uns cinco anos pra cá, tem se revigorado, produzido bastante e fazendo obras interessantes que chegaram a entrar no circuito comercial”, explica Nilo, “temos alguns filmes que estão circulando bem, sendo premiados em festivais. As Duas Irenes é o caso mais emblemático: rodou o mundo, foi premiado na Espanha, premiado no Canadá, entrou no circuito comercial aqui, passou em cinemas importantes do Brasil inteiro, com boa aceitação de público e crítica”.

Mirando nessas produções, foi consolidada a ideia de fazer uma mostra do cinema contemporâneo goiano, mesmo sem recurso, conversando com os diretores e produtoras que era importante tentar agrupar essas obras. A mostra também é, com curadoria dele, o primeiro passo para levar o Cine UFG de volta ao seu período de ouro. “O pessoal sempre fala muito: vamos resgatar o cine, vamos retomar. Então o começo do ano foi muito intenso, trabalhamos muito, fizemos várias reuniões”, conta Borges.

O futuro

 Esta retomada do Cine UFG deve ser encabeçada pela professora Flávia Cruvinel, pró-reitora adjunta da Proec e diretora de Cultura que está tomando medidas para que o cinema volte a ter programação constante e diversa. A mostra comemorativa dos dez anos foi o primeiro passo, do dia 3 de setembro ao dia 23 de outubro, com 22 curtas e 10 longas-metragens goianos e que também marcou a inauguração o Café das Letras, que constava no projeto original e só foi concretizado agora, abrindo as portas no dia em que a mostra começou.

A professora Flávia conta que o Cine UFG entrou no Cinemas em Rede, da Rede Nacional de Pesquisa e Ensino (RNP) e na Recam, rede latino-americana de audiovisual ainda em formação. “Então, a ideia é a gente continuar essa parceria, mas agora já estamos conversando de tentar cada instituição fazer a sua própria curadoria”, conta a professora, cuja ideia é “a partir do acervo digital a gente poder não só ter essa sessão conjunta mensal, é a gente passar a ter sessões diárias”. Ela destacou, da mesma forma, o marco que são os 10 aos do Cine UFG, pois ele foi pioneiro e poucos cinemas em universidades tem essa trajetória e longevidade: “grande parte das instituições não tem cinema nas universidades ou estão comemorando conosco dez anos ou menos tempo”.

Agora, depois da mostra, ela espera dar início à recomposição do Cine UFG: “a expectativa é a melhor possível e a partir dessa mostra já pensar em editais de curadoria e também, como o professor Anselmo disse, reestruturar a equipe e reestruturar todo o funcionamento do Cine”.

 

Fonte: Ascom ADUFG-Sindicato






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