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Seminário debate presente e futuro das Universidades e Institutos Federais

Publicado em : 30/05/2019

Em um momento em que a Educação pública em geral, e as universidades e os institutos federais em particular, são atacados, silenciados e asfixiados financeiramente, e que milhares de estudantes, docentes, movimentos sociais e sindicais tomam as ruas em defesa do ensino público e contra os cortes orçamentários, o PROIFES-Federação e a ADUFRGS-Sindical realizam o Seminário Presente e Futuro das Universidades e Institutos Federais, com início nesta quinta-feira, 30.

Durante três dias, pesquisadores, docentes e investigadores da educação brasileira se reúnem na sede da ADUFRGS, em Porto Alegre, para debater as perspectivas e caminhos para ensino superior. “Além das pautas fundamentais da educação e do ensino superior, também nos preocupamos em construir um projeto de nação, porque somos educadores. Há um projeto mundial para fazer da educação e dos estudantes uma mercadoria. E se não entendermos o problema, não conseguiremos encontrar a solução adequada, as alternativas, e este é o desafio desse seminário”, destacou o presidente do PROIFES-Federação, Nilton Brandão (SINDIEDUTEC-Sindicato), na abertura do evento.

“Se este governo não tem um projeto para a educação, nós temos. Este presente nós construímos, fomos protagonistas da luta para termos o quadro atual na educação pública nesse país. Portanto, é nossa obrigação lutar pela preservação desse projeto e de nosso futuro. Somos a inteligência que agora está se confrontando com o obscurantismo, e por isso nos reunimos aqui para este debate”, afirmou Paulo Machado Mors, presidente da ADUFRGS-Sindical.

Neste sentido, o representante da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), José Vicente dos Santos, ressaltou a luta da entidade contra retrocessos. “A defesa de valores iluministas e da ciência faz parte da SBPC, por essa razão achamos que não existirá expansão na ciência brasileira se não tivermos universidades livres, nas quais a liberdade acadêmica possa se manifestar, como vem sendo feito há longas décadas”. O tema da autonomia e liberdade de cátedra faz parte da programação do seminário, que segue até sábado 1º de junho.

Para a professora e representante da Confederação Nacional de Trabalhadores e Trabalhadoras da Educação (CNTE), Dóris Regina Costa Nogueira, “fazer parte desse seminário, que é um local de resistência nos fortalece, para que conseguirmos enfrentar todos estes ataques que a educação pública vem sofrendo por parte desse governo, que elegeu professores e a Educação como seus inimigos. Estranhamente, os mesmos que hoje atacam a educação superior são os mesmos que mentem em seus currículos”, lembrou.  

As perspectivas para o futuro foram o destaque da fala de Lucia Pellanda, reitora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA): “nosso presente está complicado de navegar, mas não podemos deixar de pensar no futuro. Estamos sendo atacados no campo material, mas também no campo simbólico, o que é inédito para nós. Temos muita coisa para mostrar, e quando as pessoas começam a fazer a conexão que aquele projeto aquela pesquisa impacta na vida delas, elas começam a nos defender. Estamos sendo atacados pelo que fazemos de bom, pelo que dá certo, e nos últimos anos a universidade melhorou muito, é um patrimônio da sociedade brasileira, que se não cuidarmos ninguém vai cuidar. Por isso, acho que esse seminário vai ser importante, e espero que possamos traçar vários cenários, e que um deles seja mais otimista”, ponderou.

O reitor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Rui Vicente Oppermann, representando a Andifes fez uma reflexão sobre o sentindo de urgência de debater a Educação neste momento. “Um seminário como esse coloca para nós um sentido de urgência para muitas coisas que precisamos discutir e esclarecer, estamos sendo testados nesse momento político do Brasil por novos desafios de velhas políticas. Até mesmo dentro da universidade não temos a oportunidade que temos aqui, com representantes de vários sindicatos, de diferentes estados, debatendo temas importantes, e o PROIFES que sempre foi um parceiro vigoroso da Andifes. Temos as universidades públicas como um grande patrimônio da sociedade, que inegavelmente está do nosso lado”, destacou Rui Oppermann.

 

A abertura foi mediada por Lucio Vieira, diretor da ADUFRGS-Sindical e do PROIFES-Federação, que destacou a oportunidade e o momento de debater perspectivas para o ensino superior no Brasil:

Encerrando as falas da mesa, a secretária-executiva do Fórum Nacional Popular de Educação (FNPE), Adércia Hostin destacou a sistemática de ataque à educação pública, no Brasil e no mundo. “Há sim um projeto de educação neste governo, e é transformar todo aluno em cliente, privatizar e transformar a educação em mercadoria. Sabemos o que buscamos e queremos para educação do nosso país, e o que estamos deixando bem claro nesse momento é que eles não nos calarão”, concluiu.

O Seminário Presente e Futuro das Universidades e Instituições Federais é  gratuito e aberto ao público. O evento também pode ser assistido ao vivo pelo site do PROIFES e pelo YouTube e Facebook da ADUFRGS-Sindical. Acompanhe esta e outras notícias em nossos sites e redes.

Veja programação abaixo:

31 de maio | sexta-feira
9h - A BNCC e a Reforma do Ensino Médio: impacto para a formação de professor
Apresentação - Maria Beatriz Luce (Faced/UFRGS)
Painelista - Lucilia Augusta Lino (Anfope)
Mediação - Geovana Reis (ADufg)
 
14h - Perspectivas das Universidades e Institutos Federais
Apresentação - Gil Vicente (ADufscar)
Painelistas - Rui Vicente Oppermann (Andifes), Jerônimo Rodrigues da Silva (Conif), Carlos Alexandre Netto (SBPC)
Mediação - Lúcio Vieira (ADUFRGS)

01 de junho | sábado
9h - PNE – Avanços e recuos
Apresentação - Sonia Ogiba (Faced/UFRGS)
Painelistas - Dilvo Ilvo Ristoff (Professor e Pesquisador) e Adércia Bezerra Hostin (FNPE)
Mediação - Silvia Leite (APUB)

14h - Liberdade para Ensinar e Aprender
Apresentação - Aline Kerber (Associação Mães & Pais pela Democracia)
Painelistas – Russel Teresinha Dutra da Rosa (Faced/UFRGS), Miriam Fábia Alves (UFG) e Enrico Rodrigues de Freitas (Procurador Regional dos Direitos do Cidadão/MPF e Fórum Permanente de Combate à Intolerância e ao Discurso de Ódio)
Mediação - Liliane Prestes Madruga (ADUFRGS)














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