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Sem previsão para um retorno presencial seguro, NEI-CAp retoma ano letivo de forma remota

Publicado em : 28/07/2020

A necessidade de interrupção das aulas presenciais diante da pandemia de COVID-19, decretada em março deste ano pela Organização Mundial de Saúde (OMS), trouxe para os educadores de todo o mundo o desafio de reinventar as práticas de ensino já conhecidas. Com os profissionais do Núcleo de Educação da Infância (NEI-CAp) da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) não foi diferente. Desde a data em que as aulas foram suspensas, no dia 17 de março, a unidade passou a realizar um trabalho em conjunto com as famílias das crianças da educação infantil e do ensino fundamental para que as interações e os vínculos com a escola, os pares e os docentes pudessem ser mantidos.

De março até julho, as atividades foram planejadas de forma não obrigatória, porém, com o retorno do semestre letivo na UFRN, a comunidade escolar se prepara para voltar às aulas de forma remota a partir de agosto. “Durante esses 4 meses, nós estivemos trabalhando com sugestões e orientações a serem vivenciadas pelas crianças sob a mediação das famílias. Para planejar as estratégias do retorno às aulas no formato remoto, a equipe docente pensou estratégias pedagógicas para cada segmento e turma”, explicou Gilka Pimentel, coordenadora do Núcleo de Inclusão do NEI-CAp e vice-presidente do ADURN-Sindicato.

De acordo com Gilka, esse formato precisa de flexibilidade, adaptações para cada nível e idade das crianças. “Os encontros virtuais com as crianças fazem parte de um processo de aprendizagem da equipe docente, das famílias e das crianças.  Envolve   abertura para experimentações, reflexões, estratégias criativas, lúdicas em diálogo constante com todos para pensar em estratégias significativas que mantenham as crianças em interação com a escola, com os colegas e com o conhecimento”, disse.

A partir das reflexões no período não obrigatório, foi possível estabelecer uma rotina de encontros virtuais para cada faixa etária. Para a educação infantil os encontros semanais têm curta duração, variando entre 20 a 30 minutos, tempo para que seja possível uma interação com qualidade entre as crianças e os docentes. Já para o ensino fundamental, os encontros levam uma hora.

Todos os encontros são coordenados e planejados pelos professores e mediados pelos pais ou por algum outro familiar, por isso, sempre às segundas-feiras, as famílias recebem um roteiro, através dos grupos criados para cada turma no whatsapp, indicando qual a programação da semana. As interações semanais são distribuídas da seguinte forma: um dia os professores reúnem todas as crianças, em outro o encontro é em pequenos grupos e, ainda há um terceiro formato, em que os pequenos têm um momento com os professores de música e educação física.

Recriar o ambiente escolar dentro das casas das crianças foi uma outra preocupação levada em consideração no planejamento realizado pelos profissionais do NEI-CAp. Nesse sentido, todos os momentos virtuais abrem e fecham com a canção “João e Maria”, de Chico Buarque, tradicional marcador dos horários de transição na escola. Além disso, os professores sugerem para as famílias o uso da farda da escola, sobretudo para as crianças menores, como uma referência significativa da rotina escolar, além da organização de um semanário com a rotina para sistematizar o tempo dos encontros virtuais.    

A escola também se prepara para serem distribuídos entre as famílias kits pedagógicos com materiais de apoio - como cartolinas, lápis de cor, papel sulfite, e outros – “Esses materiais serão utilizados nos dias em que não tivermos aula remota, para que os alunos possam desenvolver atividades indicadas pelos professores ligadas à aula do dia anterior”, disse Gilka Pimentel.

À disposição dos familiares das crianças também está o Guia "Educação das Infâncias em Tempos de Isolamento Social", um material produzido pela Equipe do NEI-CAp/UFRN, com o objetivo de levar contribuições para a proposição de uma nova dinâmica familiar, possibilitando mediações significativas. O Guia pode ser acessado aqui.

Crianças com Necessidades Educacionais Específicas

Com 19 crianças que possuem necessidades educacionais específicas matriculadas, os educadores do Núcleo de Educação da Infância pensaram estratégias para cada uma delas em parceria com cada família.

Nesses casos o grupo de WhatsApp é individualizado e a cada encontro os docentes avaliam com as famílias a participação e as estratégias usadas para cada criança.

Dentre as estratégias está a possibilidade de as famílias usarem a transmissão conectada a TV durante os encontros virtuais. Assim, a docente se dirige diretamente para a criança. “Nesse momento mudamos o layout para permitir à criança visualizar melhor a professora”, detalha Gilka.

Leonardo, criança com necessidade educacional específica, interage com colega durante encontro remoto

Para Luciana Monte, mãe do Leonardo, as dificuldades de inclusão da criança com necessidade educacional específica no ensino remoto são tantas quanto no ensino presencial, “estamos muito felizes por estarmos vendo que está sendo possível. Iniciando a segunda semana tivemos uma interação muito linda com a colega Isabella”, disse emocionada.

Volta às aulas presencialmente

Todo o esforço para adaptar as práticas educacionais à nova realidade enfrentada pelo mundo tem um motivo, ainda não é possível prever quando será possível um retorno às aulas presencialmente de forma segura.

De acordo com um estudo realizado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) a volta às aulas em meio à pandemia de Covid-19 poderia aumentar significativamente o número de crianças mortas por causa da doença no Brasil. A estimativa é que, de cerca de 300 mortes registradas atualmente de menores de 5 anos, o total saltaria para 17 mil.

Para o pesquisador Eduardo Massad, professor Titular da Escola de Matemática Aplicada da FGV, caso as escolas de ensino infantil abram no dia 1º de agosto, mesmo usando máscara e impondo a distância de dois metros entre as crianças, no primeiro dia de aula haverão 1.700 novas infecções, com 38 óbitos.

“Isso vai dobrar depois de 10 dias e quadruplicar depois de 15 dias. Então, abrir as escolas agora é genocídio", declarou o pesquisador durante uma conversa virtual realizada no último dia 14 de julho pela Agência Fapesp e o Instituto Butantam. 

“Em vez de colocar as crianças e os professores em risco, é preciso pensar estratégias significativas para as crianças neste momento em diálogo com as famílias e é isso que o NEI vem fazendo. Para que voltar presencial se as crianças não vão poder brincar juntas, sentar e conversar com o próximo ao colega, comer em grupo, usar o parque?  Se a escola tem como função social o desenvolvimento do processo de ensino e aprendizagem, como cumprir esse papel se estarão sob tencionamento em garantir os protocolos sanitários?  Como controlar as crianças para não se abraçarem? Como impedir elas de correr e brincar no parque? Como evitar o prazer de estar juntos?”, questiona Gilka Pimentel.

A coordenadora do Núcleo de Inclusão do NEI-CAp ainda alerta que nas crianças muito pequenas não é recomendável o uso de mascaras. “Qual o sentido de arriscar a vida de milhares de pessoas envolvidas na comunidade escolar, seus profissionais, os familiares? A escola é um lugar de vivencias, interações e prazer. Os docentes não irão suportar o clima de tensão e medo que estarão presentes todo o tempo em que as crianças estiverem na escola.  O que irá acontecer se uma criança, um docente, um parente próximo se contaminar e morrer? Em um cenário como esse a escola não poderá desempenhar com qualidade sua função de ensinar. Por isso, defendemos e recomendamos que as escolas não retornem de forma presencial este ano”, afirmou Gilka Pimentel.

Fonte: Ascom ADURN-Sindicato



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