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“Não é nosso objeto de trabalho doutrinar os alunos”, afirma professor na 9ª Escola de Verão do ILEA

Publicado em : 23/01/2019

“Os princípios de educação e liberdade andam de mãos dadas na construção de uma sociedade democrática”. Com esta afirmação, o professor do curso de matemática da UFRGS, Marcus Vinicius de Azevedo Basso, deu início ao debate sobre universidade e liberdade acadêmica. O evento ocorreu na tarde de terça, 22, no Campus do Vale e faz parte das atividades da 9ª Escola de Verão do Instituto Latino Americano de Estudos Avançados (ILEA).

Sobre os ataques às universidades na campanha eleitoral de 2018, Basso lamentou: “Hoje assistimos a uma questão muito séria em nosso país, que é o culto à ignorância“. O professor também destacou que a liberdade não é um tema restrito às universidades, já que professores de escolas também estão sendo atacados com relação ao pensamento crítico.

Com base no artigo 206 da Constituição Federal, que fala sobre a liberdade de ensinar e aprender, divulgar o pensamento, o pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas, Basso abordou questões como o culto a ignorância, condições de trabalho e democracia.

O professor finalizou indicando aos alunos a leitura do livro “Universidade e repressão: os expurgos da UFRGS” que foi reeditado pela ADUFRGS, em 2008, quando o professor Eduardo Rolim presidiu a entidade.

Escola sem mordaça

Prosseguindo o debate, o professor Eduardo Rolim, diretor de relações sindicais da ADUFRGS, destacou que a liberdade de cátedra é o grande debate que separa uma sociedade plural e democrática de uma sociedade onde a religião domina e interfere na vida das pessoas.

Rolim explicou a origem do movimento que preconiza que existe uma doutrinação ideológica em sala de aula e, portanto, a família deve interferir no que está sendo ensinado no ambiente escolar. Ele nasceu de uma visão ideológica defendida por setores mais à direita da sociedade estadunidense.  Há um ano, lembra o sindicalista, a questão da liberdade acadêmica não estava em pauta nas universidades brasileiras. “Esse tema surge porque o Brasil esta vivendo uma situação um pouco esquizofrênica, onde parte da sociedade quer derrubar todos os pilares, e um deles é a educação. Esse é o reflexo do momento que o país está vivendo.” 

Para Rolim, a escola tem o dever de discutir temas como criacionismo e evolucionismo, porque esse é o papel de uma sociedade laica. “As crianças têm direito ao livre pensar, que é princípio de uma sociedade aberta, plural. O que não pode acontecer é a família interferir na escola.” Ao compartilhar um pouco de suas experiências como professor de química, o diretor da ADUFRGS destacou que o espaço da sala de aula é rico e único, no que se refere à troca de conhecimento entre professor e aluno. “Ali, o professor é o representante da sociedade e ele não tem o direito de doutrinar, mas tem sim a liberdade de falar o que acha que deve falar.”

Como forma de orientar professores e alunos sobre questões relacionadas à liberdade de cátedra e autônima universitária, Rolim mostrou o conteúdo das cartilhas de orientações aos professores, elaboradas pela assessoria jurídica da ADUFRGS-Sindical e pelo PROIFES-federação.

Acesse a cartilha aqui.

Para Rolim, o parecer da ministra do STF, Carmen Lucia, em decisão de outubro do ano passado, especifica bem todo o desejo de uma sociedade de manter a liberdade acadêmica e autonomia universitária.  “Se esse novo governo se autodenominar cerceador da liberdade, apoiador do Escola sem Partido, ele vai ter de nós a resistência e a luta.”

Texto e fotos: Giliane Greff / Ascom ADUFRGS-Sindical

















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