PROIFES | Federação de Sindicatos de Professores e Professoras de Instituições Federais de Ensino Superior e de Ensino Básico Técnico e Tecnológico

Comunicação

Notícias Proifes

Cortes na Educação impulsionam atos e manifestações pelos IFs do Paraná

Publicado em : 08/05/2019

No dia 30 de abril, pouco mais de uma semana atrás, foi anunciado um corte de 30% nos orçamentos das instituições federais de ensino de todo o país. Inicialmente dirigido à Universidade Federal da Bahia (UFBA), à Universidade Federal Fluminense (UFF) e à Universidade de Brasília (UnB); o golpe na Educação se coloca hoje como uma perda de R$ 5,8 bilhões do orçamento anual de R$ 149 bi destinados à Educação.

O governo federal já havia anunciado em 29 de março corte de R$ 8,3 bilhões do MEC, parte do último "contingenciamento" no Orçamento Federal que atingiu também o Ministério da Ciência Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) em R$ 2,1 bilhões a menos; bem como a outras instituições ligadas ao ensino, como o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPQ), segundo dados do Ministério do Planejamento).

Universidades Federais do Piauí, Rio de Janeiro e Paraná anunciaram, ao fim da última semana o estado de calamidade caso o corte seja de fato efetivado: falta de luz, água, internet, cancelamento de contratos de prestação de serviços. Depois do básico, programas de assistência estudantil e de pesquisa serão prejudicados. Por fim, o funcionamento destas instituições chegará, no máximo até o fim deste semestre.

A asfixia se estende também aos Institutos Federais. Para os campi do IFPR, o corte decepa 36% do orçamento já previsto para o Instituto; o equivalente a R$ 20.895.166,00.

A reação foi imediata. Desde a última semana, manifestações e notas de repúdio do meio acadêmico despontaram por todo o país. Alunos e professores organizaram atos, fizeram reuniões e se encaminham para a paralisação nacional pela Educação, no dia 15 de maio, uma quarta feira.

No paraná, as mobilizações iniciaram e na última segunda (06) aconteceram atos em Paranavaí, Jacarezinho, Londrina, Barracão, Goioerê, Paranaguá, Campo Largo, Palmas e mais seis cidades espalhadas pelo estado. Na internet, a hashtag #tiraamaodomeuif está no terceiro dia de trending topics (ranking das dez hashtags mais utilizadas no Twitter).

Ninguém solta a mão de ninguém

Guilherme Akira Demenech Mori tem 17 anos e é educando de Informática Integrada ao Ensino Médio no campus Londrina. Ele coloca que, mesmo com o orçamento previsto intacto, já foi complicado alugar o prédio em que o curso está instalado atualmente. “Estamos um tanto apreensivos, não sabemos como iremos contornar esse problema”, diz.

Os cursos técnicos integrados ao ensino médio ou subsequentes dependem da estrutura de laboratórios, insumos, equipamentos e, no caso do curso de Guilherme, internet é fundamental. Além dos cursos que já funcionam em Londrina, o estudante teme que outras áreas sejam afetadas. “Projetos de ensino, extensão pesquisa e inovação seriam muito mais dificultados pela já problemática falta de bolsas”, diz.

Mariana Cordeiro Clarinda, 17 anos, é educanda do Técnico em Meio Ambiente Integrado ao Ensino Médio em Paranaguá. Lá também houve mobilizações na última segunda, mas a movimentação começou já na sexta (03). “A princípio a gente pensou em ir juntar os alunos para ter mais uma conversa, por que até então a gente não sabia como ia ser a nossa dinâmica com eles, se a gente ia conseguir abranger as pessoas aqui do campus.”, relata. Ela e uma colega tomaram a iniciativa de reunir os alunos em uma roda de conversa, expor ideias e daí surgiu o ato do dia 6, com a preocupação de unirem-se às outras manifestações. “Eles não estão sozinhos, assim como nós não estamos sozinhos aqui”, explica.

Expectativa x Realidade

Para o presidente Bolsonaro, a medida tem o intuito final de privilegiar setores que produzam “retorno imediato” ao contribuinte. Este discurso reafirma uma ideia de suposta “doutrinação ideológica”, que seria predominante nas universidades, sobretudo nas humanidades. Ao longo da campanha presidencial, em 2018, Bolsonaro propôs, além de reduzir “gastos”, combater o chamado “marxismo cultural”, adotando uma postura diante da educação pública de ensino técnico e superior bancadas com dinheiro público difundida pelo escritor Olavo de Carvalho – hoje mentor não só da família Bolsonaro, como também dos dois ministros da Educação que passaram pelas nomeações do presidente.

No entanto, a realidade que consta nos Institutos Federais do Paraná é muito diferente da justificativa apresentada pelo governo federal. Segundo Marina, existe em Paranaguá um curso de agroecologia aberto à comunidade e gratuito. O curso de Auxiliar de Agroecologia oferta 35 vagas e tem o objetivo de fomentar técnicas e saberes locais para que jovens e adultos atuem como agentes de transformação social na periferia de Paranaguá.

Em Londrina, o projeto de tecnologia WASH – Workshop Aficcionados em Software e Hardware – foi implantado na rede municipal de educação no contraturno para os alunos de 4º e 5º ano do Ensino Fundamental e propõe o estímulo para temas ligados à ciência e tecnologia, além de projetos de iniciação científica. Em outubro do ano passado, Guilherme alcançou destaque por atingir a maior nota na VII Mostra de Trabalhos de Cursos Técnicos do Colégio Técnico. Ele apresentou o trabalho “Aprendizagem de programação genética por funções: acaso e computação evolutiva”.

Entre 2002 e 2014, o total de cursos de graduação aumentou de 2.047 para 4.867. O número de matrículas na graduação passou de 500.459 para 932.263; já na pós-graduação, foi de 48.925 para 203.717. Nesse meio tempo, 18 novas universidades federais foram abertas e 173 campi de instituições federais foram criados no interior do país. Mais especificamente no caso dos IFs, neste mesmo período foram abertos 252 Institutos. Segundo relatório da SESu (Secretaria de Educação Superior), o número de instituições federais de ensino aumentou 31%; as matrículas na graduação, 86%; e na pós-graduação, 316%. Ainda assim, o gasto em Educação superior e tecnológica não passa dos 6% do PIB.

Fonte: Ascom SINDIEDUTEC-Sindicato





ADURN-Sindicato se posiciona contra o Future-se

ADURN-Sindicato se posiciona contra o Future-se

 18/07/2019

A nova proposta, apresentada pelo MEC nesta quarta-feira (17), chamada sarcasticamente de “Future-se”, representa, de forma muito clara, o despreza que o atual governo dedica à questão da Educação e, especificamente, com relação à [...]













GO!Sites