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Apesar de dificuldades financeiras, IFES continuam com ações afirmativas durante a pandemia

Publicado em : 08/07/2020

Mesmo com cortes orçamentários, a inclusão é um dos pontos de atenção para as universidades

Ações afirmativas na inclusão de estudantes nas Instituições Federais de Educação Superior (IFES) foi o tema do “Conversas ADUFRGS” desta quarta-feira, 8 de julho, no Canal da ADUFRGS-Sindical no YouTube. Participaram representantes das quatro instituições de base do Sindicato: Neudy Demichel (diretor de Assuntos Estudantis do IFRS), Luiza Silveira (coordenadora do Núcleo de Inclusão e Diversidade da UFCSPA), Rosane Bom (chefe do Departamento de Educação Inclusiva do IFSUL e Denise Jardim (coordenadora da Coordenadoria de Ações Afirmativas da UFRGS). A mediação foi do diretor de Assuntos Jurídicos da ADUFRGS, Eduardo de Oliveira da Silva.


Cada representante apresentou as ações afirmativas que suas instituições realizam para a inclusão de estudantes com deficiência, negros e pardos, de baixa renda, indígenas, LGBTQ+, entre outros grupos. Também falaram sobre os desafios durante a pandemia de coronavírus, como a inclusão digital e a garantia das condições de permanência dos estudantes frente às dificuldades socioeconomômicas. 

Com 60% dos alunos na faixa de renda familiar de até 3 salários mínimos, o IFRS, segundo Neudy Demichel, vem discutindo o retorno do calendário acadêmico suspenso em março, de forma a contemplar a todos e todas. Além disso, tem se preocupado em garantir a alimentação dos estudantes que mais precisam, com doações de cestas básicas.

“Mais do que discutir a retomada das atividades, o essencial neste momento é mantermos o vínculo e o acompanhamento da saúde dos nossos estudantes, esse é o cuidado que estamos tendo”, afirmou o diretor de Assuntos Estudantis do IFRS. Para ele, a pandemia tende a impulsionar a evasão e é preciso pensar para além de 2020, pois 2021 e os próximos anos também deverão ter uma dinâmica de organização diferente.

(Conheça as ações afirmativas do IFRS)

O IFSul tem passado pelas mesmas dificuldades desde a implantação de políticas afirmativas próprias, em 2016. Entretanto, conforme Rosane Bom, além dos desafios da multicampia, a instituição enfrenta uma grande lacuna: a falta de profissionais especializados para lidar com a questão da inclusão. Por isso, vem aproveitando o período sem aulas presenciais para promover formação de docentes por meio de cursos EaD. 

“O IFSul está se organizando para começar as atividades remotas, mas tendo a preocupação de dar apoio aos alunos através da escuta sensível, de dar formação aos professores para uso de ferramentas e adaptação à realidade. Temos nos perguntado como atender a todos e como não ser exclusivos ao tentar incluir”, contou.

(Conheça as ações afirmativas do IFSul)

Na UFCSPA, as ações afirmativas vinham se intensificando em 2019 com acolhimento e análise das demandas dos alunos, oficina de formação para docentes, diálogos com a Reitoria, lançamento da série televisiva Crisálida, sobre surdez, a realização da Semana da Consciência Negra, entre outras. Porém, mesmo antes da pandemia, os cortes no orçamento das universidades federais prejudicou o planejamento da UFCSPA, segundo Luiza Silveira.

“A verba do programa “Incluir”, do MEC, teve cortes e fez com que a gente tivesse que remanejar recursos. Também estávamos sofrendo com a questão do assédio às instituições públicas. Ou seja, o cenário já era dificil e a pandemia veio para colocar mais uma gota neste copo”, afirmou. Mesmo assim, a universidade manteve auxílio moradia, alimentação, permanência e transporte para os estudantes de baixa renda.

(Conheça as ações afirmativas da UFCSPA)

A coordenadora da Coordenadoria de Ações Afirmativas da UFRGS (CAF), Denise Jardim, destacou o papel fundamental dos movimentos sociais nas políticas de inclusão. “A instituição não foi pensada para ser inclusiva, mas tem que internamente ser repensada e a força dos movimentos sociais tem que ser um impulso para a criação de ações afirmativas”, ressaltou.

Na UFRGS, 9.270 estudantes entre os 22.523 são cotistas. Há uma política de ingresso especial para indígenas, com reserva de 10 vagas. O desafio da CAF, contudo, conforme Denise, não é destinar vagas, mas retirar obstáculos para que as pessoas que precisam das ações afirmativas consigam, de fato, acessar a universidade e se manter nela. 

Ela também destacou as dificuldades pelos cortes no orçamento, desde a aprovação da Emenda Constitucional 95, que congelou os investimentos em Educação no país. Além disso, enfatizou que os órgãos de inclusão das instituições de ensino, sejam eles diretorias, coordenadorias ou núcleos, não conseguem resgatar, sozinhos, todo o histórico de desigualdade social do país.

Como ação para o retorno às aulas, Denise disse que a Universidade está preocupada em buscar espaços, como centros e bibliotecas comunitárias em lugares onde o risco de contaminação por coronavírus ainda está na bandeira amarela para equipá-los e expandir o atendimento da UFRGS aos estudantes que não tem acesso a computador ou à internet. “Essa é uma possibilidade trabalhosa”, destacou. “Temos que fazer um mapeamento dos lugares próximos dos beneficiários (dos programas de inclusão da universidade) para que as pessoas permaneçam conectadas. Não podemos abandonar os alunos e nem ser abandonados por eles”, concluiu.

(Conheça as ações afirmativas da UFRGS)

Participação do público

Este é o segundo “Conversas ADUFRGS” promovido pelo Sindicato na internet. O primeiro trouxe um debate entre os candidatos à Reitoria da UFRGS. Até o fechamento desta matéria, quase 200 pessoas haviam assistido à Live, que permanece no YouTube.
Veja alguns comentários no chat durante a transmissão:

Muito interessantes mesmo as contribuições.
Gabriela Pires

Bom dia a todxs! Excelente assunto!
Rose Elaine Barcellos Duarte Arrieta


Parabéns pela iniciativa! Tema urgente e necessário! A realidade é dura e complexa.
Dara Souza


Bom dia a todes! Sempre em defesa da educação e das melhores condições para nossos estudantes!
Ana Boff de Godoy

Não temos todas as respostas. Estamos e precisamos construir as respostas coletivas. Obrigada pela discussão.
Claudia Porcellis Aristimunha

Serviços importantes. Parabéns aos apresentadores e a escolha do tema.
Marilene Schmarczek

Assista à integra do “Conversas na ADUFRGS”:

 

 

Fonte: Portal Adverso



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