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Ciência, Tecnologia e Inovação: investimento no setor é determinante para desenvolvimento socioeconômico

Publicado em : 31/10/2019

por Ênio Pontes

A corrida desenvolvimentista que move as nações no tabuleiro global tem privilegiado cada vez mais os países fomentadores de soluções tecnológicas no enfrentamento dos desafios contemporâneos. Questões como destinação do lixo, acesso à água, geração de energia, mudanças climáticas, produção de alimentos, crescimento demográfico e preservação da biodiversidade exigem respostas cuja viabilidade depende diretamente do potencial científico. 

O que está em jogo é sobretudo a integridade econômica e social, com seus reflexos diretos no dia a dia da população. O exemplo de países emergentes como a Coreia do Sul demonstra que a geração de riqueza e oportunidades possui relação direta com o fortalecimento da capacidade de pesquisa e inovação. Os Estados Unidos e a China, por sua vez, definiram a inovação tecnológica como eixo central de suas estratégias de retomada do crescimento após a crise do início do século. Com efeito, será cada vez mais difícil perseguir objetivos como crescimento econômico, inclusão e distribuição de renda estando à margem da produção do conhecimento inovador.

Nesse cenário, é absolutamente essencial que o Brasil promova políticas públicas que contribuam para minimizar a distância tecnológica em relação às nações que estão no topo da cadeia produtiva mundial. Para tanto, é preciso o esforço conjunto de entes públicos, privados e sociedade civil organizada, de modo a se estabelecer métodos de financiamento, desenvolvimento e contraprestação. São necessários investimentos estruturais para colocar a indústria nacional em sintonia com os novos padrões de consumo, em que tem peso decisivo critérios como sustentabilidade, praticidade, qualidade, confiabilidade e responsabilidade social.

Nos últimos tempos, contudo, decisões políticas têm jogado o País no contrafluxo do avanço tecnológico. A comunidade científica nacional tem sido chamada a uma luta que ultrapassa as paredes dos laboratórios e adentra a seara da política. Tem causado indignação e perplexidade a política de desmonte que vem atingido o setor de CT&I. A previsão para 2020 é de uma redução da ordem de 32% para o orçamento do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC). As agências fomentadoras CNPQ e CAPES já padecem de redução de recursos que giram em torno de 88% e 48%, respectivamente, ao passo que o orçamento da Embrapa sofreu redução de 45,5% em relação ao de 2019. É importante lembrar que os recursos destinados às áreas de CT&I no Orçamento da União correspondem a apenas 0,25% de seu valor total, o que torna ainda mais injustificáveis referidos cortes.  

Já se contabilizam os impactos negativos no funcionamento das instituições de pesquisa e nas universidades, com consequências como o sucateamento dos laboratórios e o êxodo de pesquisadores. É a médio e longo prazo, no entanto, que os efeitos serão desastrosos, caso não se mude a rota dos acontecimentos. As análises apontam que, com a defasagem do setor de CT&I, haverá o declínio da economia e a degradação da qualidade de vida das pessoas. Por isso, a luta em defesa da produção científica nacional é uma luta de todos os brasileiros, de todos os cidadãos, pois não há projeto de Nação viável sem investimento em Ciência, Tecnologia e Inovação.

Ênio Pontes é professor da Universidade Federal do Ceará e diretor de Ciência, Tecnologia e Inovação do PROIFES-Federação











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